viernes, 26 de noviembre de 2010

Otimismo com realismo

17-10-2009


Otimismo com realismo



Cláudio Vital de L. Ferreira* Ladislao Gati **

A maioria dos órgãos governamentais, em todos os níveis, municipais, estaduais e federais, não param de apresentar suas realizações e os progressos alcançados. De fato, nas áreas da tecnologia, ciências, informática e medicina aproximamo-nos dos países desenvolvidos e disso podemos nos orgulhar. Apesar das dificuldades financeiras, da burocracia que tudo emperra e a complicada tramitação da autenticação do progresso contra as quais o desenvolvimento deve lutar, nossa elite intelectual não desanima e, aos trancos e barrancos, por próprio eforço, amiúde sem nenhum apóio oficial, os resultados aparecem. Essa política de “substituição”, aliás, é uma das características dos governos brasileiros: incentivar a participação popular, o voluntarismo e a ação popular para realizar o que os órgãos oficiais, apresentando desculpas pouco aceitáveis, deixam de fazer. Assim a população arruma estradas, apavimenta as ruas, instala o sistema de saneamento, constrói poços artesianos, edifica casas populares, assegura a travessia das rodovias para os estudantes com guardas voluntarios Tudo isso parece interesante, no entanto o dinheiro público arrecadado com impostos salgados nem sempre sao utilizados para o bem público e sabemos que parte do que é arrecadado é desperdiçado em obras desnecessários ou pior ainda, em desvíos para os bolsos de alguns ladroes engravatados.. Há inúmeros processos contra o enriquecimento ilícito de centenas de políticos e muitos dos que sao acusados sequer sao procesados em funçao de acordos políticos de bastidores. Essas pessoas ridicularizam o “povo inocente” que acredita na propaganda alardeando a tal “governança participativa”, a qual nada mais é que o engodo dos que mandam e desmandam, a seu bel prazer, com o dinheiro do erário público, leia-se: com o dinheiro dos impostos pagos pela população honesta.

E aqui entra em cena o realismo. Os resultados científicos que enaltecem o nosso país só serão consolidados, ampliados e universalizados se houver um sistema de educação à altura. Não é suficiente termos ótimas universidades para a formação de nossos cientistas e técnicos, é preciso que haja uma educação doméstica e escolar visando o respeito mútuo, a honestidade, a ética, a sinceridade, a colaboração, a solidariedade e a responsabilidade, inclusive para com os deveres sociais. Nossas escolas preparam nossos filhos para o mercado competitivo, para o egoísmo, para o beneficio próprio em detrimento dos outros. Cada vez mais a famosa “Lei de Gérson” que é levar vantagem em tudo vigora na mente das pessoas como se a desonestidade fosse o caminho para o sucesso. Nosso grande problema nao é somente a falta de escolas, mas sim escolas de qualidade que preparem seus alunos com valores universais reconhecidos por todos os povos, e nao somente conhecimentos técnicos para serem mais uma peça na engrenagem do proceso produtivo. Como se isso nao bastasse, os estudos no nivel fundamental sao de péssima qualidade; os professores têm uma formação precária, além de mal-remunerados; os alunos terminam os seus cursos semi-analfabetos ou analfabetos funcionais, sem entender o que leram; não há a mínima preocupação para a educação moral e para a cidadania; a pobreza e a miséria tende a se agravar com a concentraçao da renda, não permitindo uma convivência pacífica e um lar onde se aprende a ser gente de bem. Resultado: ninguém é de ninguém, “cada um por si e Deus por todos” ou em outras palavras “o mundo é dos espertos!”
Nos orgulhamos com o aumento constante do nosso PIB, com a diminuição das taxas de Juros, o equilíbrio do câmbio e da nossa moeda, mas não nos empenhamos a formar cidadãos honestos, comprometidos com o bem coletivo e com a preservação da natureza. Estamos vivendo num mundo de fantasia, num otimismo sem fundamentos, não conseguimos vislumbrar, nem mesmo a médio e a longo prazo, uma real melhoria da situação em que nos encontramos atualmente se a base da educaçao nao for modificada. A tarefa é árdua, mas tem que ser enfrentada. Avante Brasil!

Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

* Teólogo, 81 anos, professor, ex- coordenador do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (Deutscher Entwicklungsdienst) e da Fase (Federação de Órgão para Assistência Social e Educacional) em Recife.
Autor do livro “confiteor, confesso, megvallom – Memórias de um homem comum”, 2004. gatihaj@gmail.com

Oportunidade

10-10-2009



Cláudio Vital de L. Ferreira*

A crise pela qual está passando o capitalismo tem deixado vítimas e uma delas são os trabalhadores, principalmente os assalariados. Em todos os países do mundo, mesmo os mais desenvolvidos, uma parte dos trabalhadores foi afetada e muitos deles perderam seus empregos, com graves conseqüências para si mesmos e para suas famílias. As possibilidades de conseguir outro emprego são pequenas e quase sempre por valores inferiores aos do emprego anterior.

Todo o processo educacional direciona as mentes para o mercado de trabalho assalariado. Os cursos profissionalizantes e principalmente os cursos de níveis superiores e pós graduações buscam dar o máximo de informações para os alunos conseguirem um emprego no mercado. Como as empresas querem os melhores e estão dispostas a pagar o mínimo que puderem, quanto maior o número de candidatos competentes e desempregados no mercado, os níveis salariais baixam numa espécie de lei da oferta e da procura invertida pois, quando se trata dos produtos do patrão, quanto maior a procura, maiores são os preços.

São poucos os empregados que se sentem seguros e estão satisfeitos no emprego, tanto em nível do trabalho que desenvolvem, em nível do tipo de relação que desenvolvem com o patrão ou chefe, quanto do valor do salário que ganham.

O sonho da maioria desses trabalhadores é ter uma oportunidade para mudar de emprego e ter no novo emprego o que lhe falta no atual. Quando conseguem isso, logo se dão conta que no outro emprego os problemas são semelhantes. Aos poucos descobrem que quando decidiram ser empregados colocaram sobre a mesa do seu empregador suas liberdades. Suas vidas irão girar em torno dos interesses do empregador. É o patrão quem definirá o que irão fazer, em que horário deverão chegar e sair do emprego, quando irão tirar férias, o que irão fazer todos os dias e o pior de tudo, quanto irão ganhar. Suas vidas estão nas mãos do padrão e suas famílias sobrevivem das sobras do tempo que não são utilizados ocupados com o trabalho. Logo perceberão que são prisioneiros e ficarão ansiosos por uma oportunidade de trabalho na qual pudessem se livrar do patrão e resgatar a liberdade.

Quanto mais tempo alguém passou como empregado, mais se habituou com uma relação em que o padrão define suas atividades e tudo o que tem a fazer para preservar o emprego é seguir à risca as ordens que recebe dando o máximo de si mesmo. Precisa ser muito bom no que faz, pois, ainda que não ganhe muito, sabe que existem muitas pessoas tão ou mais competentes do que si mesmo desempregadas esperando sua vaga e dispostas a aceitar um salário ainda inferior ao que recebe. Isso o desgasta, o estressa, mas não vê outra saída, pois tem que sustentar sua família e pagar suas contas.

Muitas pessoas permanecem em seus empregos justificando que aí estão porque não apareceu uma oportunidade de desenvolver um trabalho autônomo em que resgatasse a liberdade que venderam ao patrão. Se você é um deles saiba que todos os dias aparecem oportunidades na tua vida mas você não as vê. Quando realmente você decidir resgatar tua autonomia e buscar uma oportunidade ela virá até você. Tenho um grande amigo com o qual aprendi muito em vários treinamentos, no qual ele foi o professor, que afirma categoricamente, e eu acredito nisso, que a oportunidade que você procura está a procura de você. Basta você abrir tua mente e teu coração e então conseguirá “ver” a oportunidade que bate a tua porta, mas você não escuta. Outras pessoas conseguem encontrar a oportunidade que estava muito próxima, mas não viam e a abraçam, mas não conseguem levar adiante o sonho através dela, pois se acostumaram a ser mandados pelo patrão e na oportunidade de trabalho, sendo donos do próprio negócio, sendo padrões de si mesmas, precisam aprender a gerir suas vidas e seus tempos. A maioria não consegue isso, pois o trabalho assalariado as acomodou e sentem necessidade de alguém para dizer o que fazer numa relação paternalista. Ser dono do próprio negócio e ter ganhos muito acima da media não é para todos. Apenas aqueles que estão dispostos a pagar o preço através da auto disciplina, da persistência e consistência chegarão no topo. O topo reserva muitos tesouros. O topo está lá para todos, mas nem todos estão dispostos a fazer a difícil caminhada na auto superação para poder usufruir de todos os benefícios que o topo reserva. Iniciar a caminhada depende apenas de uma decisão e persistência. O processo de caminhar te irá transformando e aos poucos irá te habilitar a ser merecedor do que esse caminho de pedras promete. A maioria das pessoas entram em um negócio e querem TER. Antes precisam SER, depois FAZER e por último então vão TER.

• Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

Teu maior inimigo

07-10-2009


Teu maior inimigo



Cláudio Vital de L. Ferreira*

Algumas pessoas desenvolvem relações interpessoais tão tumultuadas que conseguem ter inimigos. Outras não conseguem identificar em nomes, mas conservam sentimentos de raiva, revolta, preconceito e às vezes ódio por outras pessoas. Identificam sempre o mal em outras pessoas ou em circunstâncias fora de si mesmas, e aí cometem um dos maiores erros que irá criar grandes transtornos em suas vidas.

Não duvide, seu maior inimigo está dentro de você. Estou me referindo ao teu corpo. Sim esse conglomerado de órgãos e tecidos que constitui teu organismo. Não sei como você lida com teu corpo. Há pessoas que usam boa parte das horas de cada dia para o culto ao corpo, se dispondo a grandes sacrifícios para mantê-lo dentro de um padrão de beleza que, se alcançado, irá provocar a admiração dos outros. Vamos lidar aqui com dois conceitos por uma questão didática, ou seja, o corpo e a mente. Teu corpo é preguiçoso, vadio, acomodado e mentiroso. Foge de qualquer responsabilidade e exige sempre a sensação de bem estar ainda que de forma irresponsável. Quer sempre prazer e foge da dor como o diabo da cruz. É egoísta, querendo tudo para si mesmo, parecendo uma criancinha rebelde que ganha muitas coisas mas está sempre insatisfeita e exigindo cada vez mais de forma quase ininterrupta.

Tua grande sorte é que teu corpo não tem autonomia e depende de tua mente e vontade para agir. Isso te dá uma vantagem, pois ainda que teu corpo queira a comodidade e inanição, tua mente tem o controle sobre ele e executará o que ela determinar. Mas teu corpo não se dá por vencido e desenvolve artimanhas para convencer tua mente de que todos os teus desejos e vontades são legítimos e precisam ser satisfeitos. Vejamos um exemplo: há alguns meses atrás eu fazia um trabalho de rua na saída de um movimentado edifício na cidade do Porto em Portugal e havia um rapaz simpático, porém simplório, com a metade dos dentes da boca, que vendia revistas e trabalhava em frente ao edifício todos os dias bem próximo de mim, a ponto que fizemos amizade. Seu principal assunto que compartilhava comigo era se queixar da vida, do governo e dizer que tinha família, filhos, mas que a vida era muito difícil e que o que ganhava não era suficiente para dar um mínimo de conforto para eles, às vezes sequer uma alimentação saudável. Enquanto discorria sobre assuntos tão importantes da sua vida, com a maior naturalidade apanhava um maço de cigarros do bolso, sacava um cigarro e fumava dando profundas tragadas, soltando tanta fumaça como se fosse um daqueles trens Maria fumaça.

Fiquei imaginando a inteligência do seu corpo para criar um argumento lógico e suficientemente sólido para convencer a mente a permiti-lo a cada meia hora queimar dinheiro com prejuízo à saúde se queixando de falta de dinheiro. Cheguei a imaginar o diálogo interno desse sujeito falando consigo mesmo:

-Corpo: quero fumar um cigarro, pois estou com vontade.
-Mente: não tenho dinheiro suficiente e isso faz mal.
-Corpo: Puxa não fale assim, estamos trabalhando, você está ganhando dinheiro.
-Mente: não! Não vou permitir. Minha família precisa desse dinheiro que é pouco.
-Corpo: Você vive trabalhando, se esforçando, tem feito tudo por tua família. Você não faz nada por ti mesmo, não aproveita a vida. O que tua família faz por ti? Vamos la, não seja rígido, você merece.
-Mente: Está bom, mas somente um.

Imediatamente as mãos se dirigem ao bolso e pegam o maço de cigarros. O corpo mente para a mente e essa se alia ao corpo e acredita na mentira e a farsa dura uma meia hora até o corpo querer fumar mais um cigarro e novo dialogo mentiroso se trava e, caso a mente não seja disciplinada, mais uma vez cairá no canto da sereia e no final do dia um maço de cigarros terá sido fumado.

Fortalece tua mente com disciplina e jamais acredite nas mentiras que teu corpo te apresenta como verdades incontestáveis. A Satisfação dos desejos do corpo é uma ratoeira de efeito retardado que acabará esmagando tua mente e ao próprio corpo. Sê vigilante, domina teu corpo. Desenvolve tua mente e exige que os interesses dela sejam preservados. Somente assim você terá uma chance de sonhar e realizar sonhos, e teus filhos terão orgulho de ti.


• Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com




Comentários (1)



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ionilda paulino ramos
09-10-2009
concordo plenamente com você, as vezes temos que controlar a nossa mente, ou melhor educa-la se não nós cometemos erros terriveis,que depois arrependemos.obrigada pela orientação.

A escola dos sonhos!

28-11-2009


A escola dos sonhos!



Estamos terminando uma investigação na área de saúde e educação a partir de uma escola pública na Vila das Aves, na cidade do Porto em Portugal. Se você trabalha com educação, ou se você se preocupa com nossas crianças, ou mesmo se tem filhos ou pretende ter filhos, conheça um pouco mais sobre a experiência educacional que tem mudado a vida de centenas de crianças. Se você não mais acredita que as escolas possam se transformar em um lugar onde os nossos filhos amam estar lá, são respeitados em suas diferenças mas tratados como iguais, estudam em pequenos grupos sem a interferência direta dos professores, saiba que essa escola é possível e existe. Se você pensa que toda escola precisa de provas e exames e separar em classes as crianças “inteligentes” e as “burras”, onde as notas são publicadas e os que melhor decoraram o que os professores exigiram tiram notas melhores e recebem elogios e os que tiram notas mais baixas são humilhados até na presença dos pais que são chamados na escola, afetando drasticamente a auto imagem da criança,saiba que a escola dos sonhos existe.
Perguntamos a uma menina de apenas 12 anos, que estudava nessa escola desde os seis anos, o que achava do sistema de ensino da escola onde estudava e nos deu a seguinte resposta:

Eu acho que é bom. Aprendemos a nos gerir. Se eu estivesse estudando em outra escola, eu não teria crescido. Não seria responsável. Não tomaria consciência da responsabilidade dos meus atos. Não teria consciência de trabalho em grupo e de ajudar uns aos outros. As pessoas tinham que saber sobre nosso método pois é interessante e eu aprendo muito com ele, mas as pessoas não sabem. Todos deviam saber. Aqui no meu país as pessoas não conhecem. Se eu for falar com um amigo de outra escola e falo da Escola da Ponte ele não sabe o que é nem como se ensina aqui.

Temos as sextas feiras uma assembléia e fazemos a reunião em um cinema que arrumamos aqui perto. Quem comanda a assembléia são eleitos por todos. A mesa da assembléia são somente alunos. São somente os alunos que elegem a mesa. Tem a comissão de ajuda que é escolhida pela assembléia e pelos professores. A comissão ajuda os alunos nos problemas que eles tem. Se existe algum conflito a comissão ajuda a resolver. Sempre a comissão de ajuda busca auxiliar a resolver os problemas que possam surgir. Eu que decido como vou trabalhar aqui na escola e em que hora. Eu faço um plano de trabalho quando chego de manha. Ai faço o plano do dia. Faço a partir do plano da quinzena que é uma folha que tem o que vou fazer com toda a escola e os meus objetivos pessoais em que vou trabalhar em cada área. Os objetivos relacionados com a escola definimos com o professor tutor. Na assembléia é levado assuntos que na terça feira foi coletado e os alunos disseram quais assuntos serão discutidos lá. O plano quinzenal é individual e feito de acordo com as necessidades de cada aluno. Cada aluno vai fazendo seus objetivos de acordo com sua necessidade. Se precisar pede ajuda ao professor. Tenho meta de naquela quinzena fazer os meus objetivos. Amanha termina uma quinzena de objetivos. Depois de amanha eu farei outros objetivos para mais 15 dias e no final vejo se alcancei. Temos aqui objetivos na escola e eu escolho os objetivos que quero trabalhar. A escola tem alguns objetivos traçados e eu que vou escolher quando e como que eu vou cumprir esses objetivos. Mesmo nos objetivos que eu defino que não estão relacionados com os objetivos da escola, eu sou avaliada. Buscamos sempre relacionar esse objetivo pessoal aos objetivos da escola. Se eu coloco entre meus objetivos para os próximos 15 dias estudar o universo, começo então a estudar depois de ter mostrado para meu professor tutor e quando achar que já aprendi eu coloco no mural que EU JÁ SEI. Se eu tiver dificuldade eu coloco no mural: PRECISO DE AJUDA. Também posso colocar algo no mural: EM QUE POSSO AJUDAR, sobre o assunto que já aprendi e que posso ajudar a alguém. A avaliação pode ser um trabalho, ou ficha de avaliação, ou uma avaliação oral pelo professor de cada are, mas sempre individual tão logo o aluno diz que já está preparado. Nós aqui não pensamos individualmente. Não é para nós mesmos e sim para TODOS. Tudo aqui é para NÓS e não para MIM.

A escola dos pesadelos!

21-11-2009


A escola dos pesadelos!



O modelo tradicional escolar de maneira geral se utiliza da coerção e autoridade para que as crianças façam exatamente aquilo que os adultos querem e planejaram para elas, ainda que elas não gostem nem se sintam motivadas. Como resultado de tudo isso, temos um processo educacional formal desastroso, onde os alunos não gostam de ir para a escola e muito menos de estudar. Todo o processo de educação formal nas crianças é feito por imposição dos pais e normas e ordens da Instituição Educacional que as acolhe. Assim o sentido de educação é deturpado, pois os que deveriam ser os grandes beneficiados do processo não se identificam com ele e apenas cumprem as tarefas por imposição dos adultos, quer os pais quer os professores e diretores. Com isso, cumpre-se exigências legais, preenche-se estatísticas, mas as crianças pouco crescimento conseguem em um tipo de educação como essa.

As escolas precisam estar preparadas para os problemas das crianças. Não se trata de encontrar culpados pois a educação não segue as regras e lógica do judiciário, mas atribuir os problemas que as crianças têm a si mesmas é tapar o sol com a peneira. A grande responsabilidade é social e principalmente familiar e os sistemas educacionais precisam encontrar métodos de educação que entrem no mundo dessas crianças para resgatá-las em sua cidadania, pois “ a Educação é uma profissão de esperança. Nos guiam desejos: que nossos alunos descubram o gosto de aprender.Um sentimento de justiça e de cuidado mútuo. Aspiramos em converter nossos alunos em cidadãos reflexivos, criativos e comprometidos. Aos professores inspiradores lhes motiva seus sonhos de um mundo melhor. O desejo de melhorar a educação surge naturalmente de nosso compromisso com o futuro. Reconhecemos as limitações materiais, porém não podemos permitir que nos faltem o entusiasmo. Os bons mestres nunca estão satisfeitos com situações desmotivantes, relações hostis e métodos que levam ao desânimo ou à confusão. A qualidade da escola está relacionada à profissionalidade dos professores. É umas expressão de nossa esperança em escolas melhores e uma vida melhor. Rechaça o cinismo que culpa os alunos por sua falta de êxito: nego o determinismo sociológico que diz simplesmente que os pobres estão destinados a fracassar”( Wrigley, 2007. Pg.13).

Muito se tem publicado sobre educação e as formas mais eficientes de o fazer. A cada ano, dezenas de teses dão o título de doutor a tantos educadores que desenvolvem seus estudos com seriedade, mas o alcance de seus estudos e as mudanças e ganhos na educação dessas crianças não se vê. Parece que esses estudos apenas ajudam aos pesquisadores em seus empregos e trabalhos, lhes dão projeção, melhoram a qualidade de suas vidas e familiares, mas os resultados dos seus estudos não chegam até aos beneficiários que são as crianças. Todos esses estudos também parece se inserir dentro do mesmo modelo vicioso onde o resultado de cada investigação é sempre um pouco mais do mesmo, pois o problema está na base e nos princípios que guiam todo o processo pois “ de um lado, as situações de formação normalmente organizadas segundo uma lógica dos conteúdos a transmitir e das disciplinas a ensinar; de outro lado, as situações de trabalho organizadas a partir de uma lógica dos problemas a resolver e dos projetos a realizar(Finger & Nóvoa 1988 p. 110, citado por Pacheco, 2009).

Incontestavelmente nosso modelo educacional mais doura a pílula das estatísticas governamentais do que educa. Nossas escolas têm causado grandes prejuízos a todas as partes envolvidas. De lá saem professores estressados e doentes que, quando se aposentam, vão engrossar as filas das farmácias e hospitais. Também de lá saem alunos com algumas informações que foram colocadas goela abaixo numa relação de autoritarismo, supostamente úteis para o mercado de trabalho, mas deformados em seus valores, embotados na capacidade de pensamento e com o conceito de cidadania comprometido. Nossos professores, da mesma forma que nossos alunos, merecem muito mais do que isso. Um mundo melhor é possível. Nossos professores e nossos filhos merecem!

Soução nos quinze centímetros

14-11-2009


Soução nos quinze centímetros



As expectativas que fazemos de nós mesmos e as expectativas que os outros fazem de nós, da mesma forma que as crenças e paradigmas estabelecidas ao longo da vida, são fatores determinantes de nossos comportamentos e sanidade mental. Em nossa experiência clínica, atendemos pacientes que tiveram algumas vivências traumáticas na infância tais como abuso sexual, acidente e violência mas ao longo da vida conseguiram alterações significativas no seu entorno para melhor. Na fase adulta tinham todas as condições para uma vida ajustada e feliz, no entanto eram fracassados. Durante o processo terapêutico ficou claro que justificavam seu estado atual como decorrente da situação traumática da infância. O tempo e as condições de vida depois de adultos eram favoráveis a uma vida saudável. O que os impedia de ser, era a crença de que a vivência infantil os impedia de ser felizes. Nessa hora a ciência é invocada para dar força a argumentação e justificativa do estado atual.
Quando a psicanálise freudiana dá tanta ênfase aos problemas infantis, da mesma forma que Jung salienta a importância dos arquétipos e da teleologia na formação da personalidade de um indivíduo, estabelecem as bases das crenças e direcionam o pensamento. Os mapeamentos que a ciência fez, definindo o que são as bases da sanidade ou insanidade mental, retiram a força da capacidade humana de ter controle sobre sua vida e construir sua história. Não é por acaso que a metafísica cristã afirma que as doenças somente existem como conseqüência de crenças e paradigmas. O pensamento dá vida à doença ou a saúde. É aí onde tudo é criado, mas também pode ser extinto(Eddy,1990). Isso explica as “curas milagrosas”, as curas por placebos, da mesma forma que nos faz compreender porque pessoas jovens e aparentemente saudáveis desenvolvem uma doença grave e morrem.

O processo de cura, tanto de doenças físicas quanto nervosas, não é físico e sim mental. Enquanto as crenças e paradigmas do indivíduo não são modificados a doença não se redime e a saúde não volta( Chopra, 2004). Algumas doenças se tornam epidemias em função de a mídia mudar a crença das pessoas em relação à saúde. Basta a mídia silenciar sobre o tema e em pouco tempo a tal epidemia desaparece. Isso aconteceu no Brasil com as Gripes do frango e está acontecendo com a gripe suína. Alguns acham que a mídia não mais noticia essas doenças porque diminuíram muitos os casos quando na verdade a incidência caiu exatamente porque o assunto não deu mais ibope e a mídia parou de fortalecer crenças errôneas na cabeça das pessoas. Da mesma forma, o grande poder do remédio está na crença. Se um paciente acredita em tudo o que seu médico fala e esse lhe diz que recebeu um remédio que vai curar em poucos minutos sua doença, o paciente toma e em minutos melhora ainda que o tal remédio fosse apenas um placebo. A medicina esta cheia de relatos nesse sentido e muitos estudos científicos já deixaram claro que o grande diferencial não é o tipo de remédio e sim a crença.

A física quântica descobriu que o universo é todo ele feito de energia e tudo seria um caos se não houvesse uma força lhe dando coesão e ordem. “... Essa fonte invisível de tudo que existe não é um vácuo, mas o útero da própria criação. Algo cria e organiza essa energia. Transforma o caos da sopa quântica em estrelas, galáxias, florestas tropicais, seres humanos e nossos próprios pensamentos, emoções, lembranças e desejos...”(Chopra, 2001 pg. 19)). Conclui o autor que, quando temos a compreensão da origem da existência e do funcionamento dessa infinita fonte de energia, estamos tendo a experiência de Deus. Por sermos também energia, fazemos parte dessa Mente que tem poder infinito e esse poder é compartilhado com o ser humano a partir do momento em que tem inteligência e faz uso dela. Dentro dessa visão, não existem problemas no mundo. O que transforma muitos acontecimentos em problemas é a interpretação que cada individuo dá para os fenômenos externos. Isso permite entender porque várias pessoas vivendo em condições muito semelhantes, cada uma delas reage de forma completamente distinta. Há uma frase interessante que afirma que a solução de todos os problemas internos e externos ao ser humano está no intervalo dos quinze centímetros que separa suas orelhas. Então, se você tem muitos problemas, não busque a causa fora. Recolhe-te no deserto da tua solidão, jejue por 40 dias e 40 noites, ore e medite!

Fracassado ou vencedor?

07-11-2009


Fracassado ou vencedor?



Nosso corpo se renova em velocidade impressionante e todas as mudanças são feitas em nosso benefício. Em poucos anos nosso corpo se renova completamente. Da mesma forma, nossa mente vai passando por transformações ao longe de toda a vida. Vamos através da experiência e educação estabelecendo crenças, valores, paradigmas que vão nos guiar os passos seguintes. As experiências vividas, mesmo aquelas aprendidas de maneira formal como a educação nas escolas, elas nos mostram caminhos, nada mais do que isso. Os adultos passam para as crianças suas próprias experiências. Alguns dos ensinamentos são adaptativos para os filhos mas nem sempre isso ocorre. Assim ao longe da vida, ao mesmo tempo em que o ser humano vai se defrontando com novas experiências, novos aprendizados podem ocorrer. No entanto, velhas crenças, valores e paradigmas muitas vezes precisam ser renovados e mudados para que haja um processo de adaptação melhor.
Dentro da psicanálise Freudiana, aprendemos que nossa infância tem uma influência decisiva na formação da personalidade de cada pessoa. No entanto para Jung, outro psicanalista, uma espécie de memória genética psicológica, os famosos arquétipos, teriam grande influência na formação da personalidade de cada indivíduo. Parece inegável que tanto alguns fatores de comportamento de nossos ancestrais possam influenciar nossos atos no presente, da mesma forma que as experiências de nossa infância tenham influência sobre a formação de nossa personalidade e comportamento na vida adulta. No entanto, parece que tem sido dado um peso demasiado grande a esses fatores, o que tem servido para justificar nossos comportamentos na vida adulta.

A experiência humana tem mostrado que algumas pessoas que nasceram e se desenvolveram em condições extremamente hostis tanto no aspecto relacionado com o biológico, quanto com o psicológico, quando conseguiram sobreviver, na vida adulta demonstraram ser saudáveis tanto biologicamente quanto fisicamente. Parece que, em verdade, o que determina nossos comportamentos são nossas crenças, que aos poucos as transformamos em paradigmas. Se um individuo se considera um vitorioso ou um fracassado; inteligente ou burro; sábio ou estulto; saudável ou doente; sensato ou louco, ele sempre está certo, pois agirá de acordo com sua crença. Paralelo às crenças e paradigmas, a força de vontade é um outro fator determinante de nossos comportamentos e direciona nosso futuro. É muito mais fácil sempre diante de nossas dificuldades culpar um possível trauma infantil, o tipo de amor que nossos pais nos deram, a qualidade da Escola onde fomos matriculados, a faculdade onde fizemos a duras penas nosso curso superior. Alguns justificam o fracasso afirmando que seus pais diziam que eram burros ou que o médico ou psicólogo um dia disse que eram loucos ou nervosos e por isso agem como burros ou loucos. Por sermos o que cremos ser, a força de vontade pode nos transformar no que queremos ser e podemos ser ou ter o que nossa imaginação definir.

Incontestavelmente é difícil ser saudável em um mundo hostil. Quanto piores as condições vivenciadas por alguém ao longo da vida, tanto no aspecto biológico quanto no psicológico, maiores serão as dificuldades para se manter saudável. No entanto, o ser humano encontra grandes resistências internas ao ter que lidar com as próprias culpas e assumir as responsabilidades por seus atos. O gênesis, na Bíblia, já mostra claramente essa dificuldade quando Deus aborda Adão e lhe pergunta sobre o fruto proibido e ele em vez de assumir a responsabilidade por o ter comido, imediatamente passa a responsabilidade para Eva. Ela, quando argüida, imediatamente passa a culpa por seu ato para a serpente e como essa não tinha como se defender, a bola está rolando até hoje e preferimos sempre encontrar um culpado por todos os problemas que temos dentro de nós. Se você se vê como um fracassado ou como um vencedor você estará sempre certo e isso não faz a menor diferença pois tanto ser vencedor quanto fracassado te expõe a grandes dificuldades. O grande diferencial está na tua vontade e definição de que lado quer estar, no lado dos fracassados ou dos vencedores. Mãos a obra, ainda há tempo. Você chegará onde quiser, apesar dos erros que já cometeu!




Comentários (3)



Comentários




MARIA HELENA DA SILVA
08-11-2009
Caro Professor, Obrigada, pelo texto, somos seres aprendendes, como diz meu grande mestre Pacheco!! Por tudo que diz em seu artigo sobre nós seres humanos. As dificuldadades os sofrimentos e condição imprecindivel para nosso desenvolvimento espiritual!! Graças a essas condições vamos avançando como humanidade. Estamos aqui para ir além, não existe culpados, apenas ESCOLHAS que façamos a todo momento. Portanto, quanto mais consciencia as fizermos tanto melhor para nós. A expansão de nosso consciencia é nossa meta!! até sempre!! m.helena




João Beauclair
08-11-2009
Prezado Professor Dr. Claudio Ferreira: Excelente artigo! Parabéns! Acredito firmemente no propósito que esta sua afirmativa encerra: "Por sermos o que cremos ser, a força de vontade pode nos transformar no que queremos ser e podemos ser ou ter o que nossa imaginação definir". Um abraço ! Saúde e Paz Em sintonia, Prof. João Beauclair Escritor, Arte-educador, Psicopedagogo, Mestre em Educação. Palestrante e Conferencista Internacional. Doutorando em Intervenção Psicossocioeducativa pela Universidade de Vigo,Campus de Ourense, Galícia Espanha. homepage: http://www.profjoaobeauclair.n...




Waldiva C. Lima
09-11-2009
Excelente texto, bem elaborado e bem pensado. Em tempo certo para compartilhar com meus alunos de um curso de pós graduação em Educação, com certeza vai enriquecer a aula Obrigada, Prof.a Waldiva

Próspero 2010

26-12-2009


Próspero 2010



Nesse dia 26 estarei longe de Uberlândia, participando do casamento da minha filha mais velha chamada Joyce. Eu sempre digo a ela que é minha filha mais velha predileta. Essa menina há 15 anos mora na cidade de Barcelona, na Espanha e resolveu vir casar aqui no Brasil. Teve vários namorados, inclusive espanhóis, mas resolveu casar com um brasileiro, o Rafael, mais conhecido como Rafinha, que conheceu na cidade de Gaudi e em seguida volta para a Europa onde mora. Fiz uma investigação por dois anos nessa linda cidade e levei meus filhos e, quando voltei, ela ficou la. Se você nunca morou no exterior talvez imagine que morar em outro país seja um sonho. Se for na Europa então, um grande sonho, pois trata-se de um continente com tantas culturas e línguas distintas e tudo é mágico e encantador. Mas esse é apenas o lado bom de se morar em outro país. Minha filha estava aprendendo as duas línguas que la se falam que é o espanhol e principalmente o catalão e também estava desenvolvendo suas amizades ainda em uma idade adolescente e repentinamente se viu sem seus pais em uma terra estranha.Pouco podíamos ajudar financeiramente e ela estudou e trabalhou e hoje trabalha como psicóloga em um grande centro de pesquisa espanhol, referencia no mundo todo.

Quando eu fui para a Europa da primeira vez, fui sozinho. Morei em um hotel simples por um mês localizado nas Ramblas, que desemboca na Praça Catalunya, em Barcelona. Não conhecia ninguém. Quase não entendia o que falavam e, quando imaginava que minha família estava do outro lado do oceano atlântico, que eu estava completamente só, tinha uma sensação de abandono, insegurança e solidão que jamais voltei a sentir e não gostaria de sentir nunca mais. Se eu, com algumas décadas e experiência de vida tive esses sentimentos, fico imaginando o que não se passou na cabeça de uma adolescente que tinha apenas sonhos e mais sonhos.

Aí está a palavra certa: sonho. Essa menina ficou na Europa porque tinha sonhos e lutou muito e hoje é uma grande vencedora. Sonhe muito. As pessoas que vencem na vida, primeiro tiveram sonhos. Elas iniciaram a caminhada da realização com um grande sonho. Tiveram medo, mas prosseguiram apesar dos medos, foram alvejados por flechas envenenadas mas, feito rinocerontes, tinham a pele grossa e nada, absolutamente nada os parou. Dê uma olhada no teu passado e veja como foram teus últimos cinco anos. Observe se você estava melhor ou pior do que está hoje. Não me refiro apenas ao econômico, mas principalmente você como pessoa, como gente. Se você observar esses últimos cinco anos e se der conta que está igual ou pior como pessoa e também financeiramente, saiba que você não foi para a frente ou mesmo deu ré por continuar fazendo exatamente as mesmas coisas que sempre fez. Jim Rhon, uma espécie de filósofo econômico, é enfático ao dizer que se você esta insatisfeito com os resultados da vida que tem e quer mudar, precisa começar a fazer coisas diferentes das que sempre fez. Se tua vida durante a semana foi sempre trabalhar e trabalhar e nos finais de semana e feriados viajar ou então jogar uma pelada e depois comer um churrasco, tomando cerveja colocando papo fora e nas tarde de domingo assistir ao teu time favorito jogar, e pior ainda, a noite, escutar o Faustão prenunciando a segunda feira que você tanto teme, está na hora de mudar. Se continuar fazendo sempre o mesmo que fez e os resultados não forem o que queria, então mude. Um ano novo está chegando e não fique apenas na vontade, pois o fracasso não é uma pessoa, mas sim um evento já dizia o grande zig Ziglar. E os grande fracassos são construídos com pequenos fracassos todos os dias, todos os dias. Os grandes fracassos são construídos como construímos uma casa. Um tijolo após o outro e com o tempo temos a casa pronta ou uma vida fracassada.

Aproveite tantas coisas boas que papai do céu te deu, lute, se discipline e mude teus caminhos. Ainda há tempo. Não olhe para o passado, nem condicione teu presente aos acontecimentos já vividos. Faça do teu dia um dia estanque e o viva como se você tivesse apenas ele, sem ontem nem amanha. Viva o dia de hoje como se fosse o primeiro e o último dia da tua vida. Aproveite tua vida. Ela é uma dádiva de Deus. Algumas pessoas em final de vida disseram que dariam todos os bens que acumularam para poder voltar sequer um minuto no tempo e ser jovem, ser criança. Você tem tantas coisas maravilhosas a tua disposição. Faça bom uso delas. Semana que vem é 2010. É o ano da grade virada na tua vida! Você pode! Você sabe e eu sei! Feliz ano novo! E parabéns Joyce e Rafinha! Vocês são vencedores!

Mais um Natal!

19-12-2009


Mais um Natal!



Semana que vem é natal! Tem muitos anos que escrevo essa coluna e quando chega dezembro tenho vontade de escrever sobre o Natal. Nem lembro se já dei alguma vez esse título em uma das colunas, mas estou seguro que o que vou escrever não vai ser o mesmo que já escrevi antes, pois sei que hoje não sou o Cláudio que era sequer ontem, quem dirá há um ou vários anos atrás.

Evidente que tanto se escreve sobre o natal que nos sentimos saturados, mas sei que se você começou a ler essa coluna e chegou até aqui é porque é uma pessoa corajosa, gosta do tema e resolveu me dar um crédito para saber o que tenho a dizer de novo.

Começo te perguntando o que significa para ti a palavra natal. Estamos envolvidos com tantos problemas, preocupações, problemas de saúde, dívidas, falta de dinheiro, poucas perspectivas para o ano que vem, estresse, desânimo e presentes para comprar, que nos sentimos esmagados por um rolo compressor e temos a sensação que quase não conseguimos respirar. Veja quantos presentes você já comprou e quantos ainda faltam, pois você tinha esquecido um monte de gente na primeira lista que você fez. O pior de tudo é que todo ano é a mesma coisa. Ah e a ceia, os convidados, o bacalhau cujo preço está nas nuvens, mas la em casa, natal sem bacalhau é como se faltasse o melhor.

Bem, vou te dar uma dica para esse natal. Se você tiver um filho pequeno ótimo. Se não tiver, busque um sobrinho, um netinho ou mesmo o filho de um vizinho. Arrume uma criança emprestada por um dia. Passe um dia com essa criança, mas já te aviso, primeiro vista os óculos infantis, pois se tentar passar um dia com uma criança com os óculos dos negócios, preocupações e natal comercial, apenas cheio de presentes, comidas e cifras, esse dia que passará com essa criança será o mais chato de toda a tua vida. Mas com os óculos infantis, você voltará no tempo e se identificará com essa criança pois tua meninice terá espaço em você e esse contato te será altamente terapêutico e passará um dos dias mais felizes da tua vida.

Outra dica que quero te dar nesse dia especial junto com uma criança, não tente ensiná-la em nada, absolutamente nada. Saberá se conseguiu vestir os óculos infantis, que em verdade te emprestarão os olhos de Deus, se tiver uma forte vontade de apenas aprender com essa criança. Então seja esperto e observe tudo e faça exatamente o que ela disser que é para ser feito. Aprenda com ela. Desaprenda com essa criança tantas coisas ruins que você aprender durante tua vida e que te massacram hoje. Se ela te pedir para correr, corra. Se for deitar na grama deite, se for contar uma estória, use tua criatividade e conte. Não discorde em nada dessa criança, pelo menos nesse dia.

Eu sou um privilegiado. Com 58 anos tenho vários filhos que são maravilhosos, mas queria me referir especificamente a minha filhinha de cinco aninhos, a Gabriela, a única que ainda é criança. Meus outros filhos, principalmente os do primeiro casamento, já são adultos e também já participam desse mundo de preocupações e pressão da mídia para a produção e consumo e todas as conseqüências que isso nos traz. Mas Gabriela é um pedacinho de Deus em forma de gente. Todas às vezes que a vejo assim, aprendo com ela e me torno um pouco melhor. Mas quando lido com ela usando meus óculos de homem preocupado com os problemas que o mundo moderno nos impôs, sinto que me afasto um pouco de Deus e tantas vezes tomo atitudes e digo palavras que não diria se me tornasse um pouco criança. Pare e olhe demoradamente para os olhos de uma criança. Não, não é apenas alguns segundos. Eu disse demoradamente. Fixe seus olhos dentro daqueles olhinhos e continue por vários minutos. Saberá quando é hora de parar de olhar quando conseguir enxergar o NATAL através dos olhos dela, pois natal é nascimento, é renovação, é vida nascendo, é recomeçar, é pureza, é natureza, é divino. Fuja desse rolo compressor que te mata para que, em 2010, você possa viver uma vida com mais qualidade, amando mais as pessoas em volta de ti, dando mais carinho, mais amor mais harmonia. Se doe muito. Posso te garantir que quanto mais você se doar, mais receberá em troca pois o universo que é a grande Mente ou mais conhecido como Deus, nos dá aquilo que damos aos outros. Seja feliz! Reaprenda a sorrir e tenha sempre esboçado um grande sorriso nos teus lábios, afinal de contas é Natal! Feliz natal!

Promoções!

12-12-2009


Promoções!



O natal está chegando e estão de olho no seu rico dinheirinho. Você trabalho duro esse ano, acabou de receber seu 13º salário e Já fazem alguns meses que o comércio centralizou a propaganda nesse dinheirinho extra. Querem arrancar até o último centavo do teu bolso e, não satisfeitos, querem que você entre o mês de janeiro totalmente endividado. Você se deu conta que se ligar uma televisão ou então se olhar esses grandes painéis de propaganda espalhados pelas ruas, lá estão propagandas que buscam te enganar. Isso mesmo enganar.

O princípio básico de toda propaganda é ser a ponte de informação entre o produtor e o consumidor ou seja uma empresa coloca no mercado um determinado produto e através da publicidade faz com que as pessoas tenham conhecimento da existência do tal produto. O problema é que toda a publicidade segue regras pouco rígidas e nem sempre fiscalizadas em seu cumprimento, abrindo espaço para propagandas enganosas. Vejamos algumas delas.

Um determinado fabricante de automóveis coloca publicidade em toda a mídia anunciando seus automóveis com os seguintes dizeres em letras garrafais: “ entrada, prestações fixas e 0% de juros”. Mas, em letras minúsculas, que nem com lupa é possível ler direito, está escrito em algum lugar: ”Entrada de 70% do valor total do veículo e 12 prestações”. Ora, em se tratando de um automóvel de 100 mil reais, o possível comprador deveria ter 70 mil reais na mão e pagaria mais um ano de prestações de 3.600 reais. O sujeito corre na concessionária e somente la se dá conta das reais condições, mas aí o vendedor tem outros “argumentos” para tentar vender a qualquer custo aquele ou outro automóvel.

Outra propaganda feita principalmente por algumas cadeias de lojas que vendem eletroeletrônicos diz o seguinte: “ geladeira duplex em 15 vezes sem juros, com prestações que cabem no seu bolso”. Quando colocam o valor total a ser pago é em letras minúsculas, mas o valor da prestação está escrito em letras enormes. Uma vez eu fiz um teste no comércio. Queria comprar uma geladeira e tinha o dinheiro para comprá-la a vista. Os melhores preços que eu encontrei eram de duas grandes redes de lojas que vendem esse tipo de produto. Mas ambas diziam em suas propagandas: “ tudo em 10 vezes sem juros”. Peguei o orçamento por escrito do modelo e marca da geladeira que eu queria em ambas as lojas e disse que queria pagar a vista. Em princípio ambas disseram que o valor era o mesmo, pois o preço em 10 vezes era o valor a vista. Bem iniciei um longo processo de negociação ora com uma loja ora com outra. Quando conseguia um melhor preço na primeira, pedia por escrito e ia até a segunda e mostrava para o vendedor. Esse corria até o seu gerente e voltava com um valor mais em conta do que o preço da outra loja. Foram varias horas, foi até divertido, mas comprei a geladeira pela metade do preço que estava anunciado que era “preço a vista em 10 suaves prestações”.

O Nobel de economia de 1976, Milton Friedman, cunhou uma frase que se tornou célebre. Ele dizia que não existe almoço grátis. Se você vai passar o domingo na casa da sua sogra e ela oferece um gostoso almoço você não paga nada, mas ela assumiu o custo ao fazer a compra dos ingredientes no mercado. Os juros internos no Brasil atualmente têm variado de 1.5% nos empréstimos habitacionais subsidiados, até 12 por cento ao mês nos cartões de crédito. No comércio os juros variam de 4 a 8% ao mês. Se o lojista ao pegar dinheiro no banco paga juros exorbitantes, você acha que ele vai te repassar um produto em 10 ou 15 vezes sem juros? Se fizesse isso iria a falência em poucos meses.

Abra bem seus olhos e não compre por impulso. As propagandas sempre buscam te ludibriar, te enganar. É tanta pressão da propaganda que uma grande parte das pessoas compra sem ter o dinheiro numa inversão perigosa onde primeiro se compra o bem de consumo e depois se vai ganhar o dinheiro para pagar. Inverta a situação. Planeje compra um bem que realmente necessite. Trabalhe e poupe até ter o dinheiro para comprar à vista. Fuja dos carnets de prestações. Eles são teus maiores inimigos econômicos.