sábado, 27 de noviembre de 2010

A ARMADILHA DA COMPETIÇAO

27-11-2010


A armadilha da competição



Você não deve ser diferente de mim, e assim como eu deve ter escutado desde a mais tenra idade que, para se dar bem na vida, precisa competir e vencer. Somos induzidos desde muito cedo a acreditar que a competição é um caminho saudável e nos faz bem. Criaram a ilusão de que se deixarmos os outros para trás ou se agirmos com maior habilidade do que os outros, seremos os melhores, seremos exaltados e receberemos todas as recompensas do sucesso. Na vida adulta, não importa a classe social a que pertençamos nem o nível intelectual, raramente passamos um dia em que não nos vemos competindo com alguém, seja por um cargo recém criado, seja por um elogio, seja por uma medalha. Sentimos no fundo de nossa alma que temos que competir e vencer. Mais do que competir, sentimos a necessidade de vencer, pois o segundo lugar tem sempre sabor de derrota. Fomos tão intensamente domesticados para a crença na importância da competição e essa é tão exaltada como uma virtude a ser desenvolvida por todos nós, que acabamos acreditando que o ato de competir seja uma lei da natureza. A competição nos é apresentada de forma sutil nas constantes comparações com outras pessoas que aprendemos a fazer desde a infância com nossos irmãos e colegas. O problema é que a comparação produz o medo e o medo nos empurra para a competição, mecanismo psicológico inadequado para lidar com a insegurança e nos desenvolver como gente.

Por mais que esteja dentro de nós a crença nos benefícios da competição, nada mais enganoso e destrutivo, pois o verdadeiro desenvolvimento pessoal não se encontra no campo da disputa, mas sim nos princípios da iniciativa. Cada desafio que você aceitar e cada problema que tiver que resolver, irá requerer iniciativa pessoal e ela irá produzir autoconfiança sobre a qual você irá aos poucos estabelecendo seus padrões pessoais de identidade e ética no lidar com os outros e com as coisas. A iniciativa lhe traz aos poucos a independência pessoal, enquanto que a competição é a forma mais enganosa de ser controlado, pois permite que os outros estabeleçam seus objetivos, seus valores e suas recompensas. Sobre as armadilhas da competição, veja o que nos dizem Williard & Marguerite Beecher no clássico livro além do sucesso e do fracasso: “A competição escraviza e degrada a mente. É uma das formas mais preponderantes e certamente a mais destrutiva de dependência psicológica. Como conseqüência, se não for vencida, produz indivíduos estereotipados, apagados, medíocres, insensíveis, imitativos e desinteressantes, privados de iniciativa, imaginação, originalidade e espontaneidade. Eles estão mortos como seres humanos. A competição produz zumbis, nulidades”.

O grande erro do ato de competir é que desfoca do interesse coletivo para mirar no individual, ignorando que as qualidades humanas somente se desenvolvem de forma adequada na cooperação e a competição é corrente em sentido oposto, abortando e frustrando toda iniciativa individual. A competição destrói, a iniciativa cria. O sistema econômico no mundo atual apregoa os benefícios da competição. No entanto, cada vez mais vemos a destruição dos recursos naturais, o aumento da poluição, do estresse e de novas doenças, a exploração do homem pelo homem e a concentração de renda nas mãos de poucas pessoas, com uma grande maioria de miseráveis de todas as raças, idades e locais obrigados a se contentar com as migalhas. Os países ricos têm controlado o poder político e econômico, além das mentes e informações, num processo que mistura exploração com hipnose social. Alguns problemas imediatos de cunho individual podem ser resolvidos pela competição, mas a médio e longo prazo torna a vida pessoal e coletiva um inferno. O grande problema da competição é que ela é uma imitação barata da iniciativa, tornando quem a pratica uma pessoa vazia, dependente e controlada por circunstâncias alheias. Como dizem os autores acima citados, querer igualar competição com iniciativa é como confundir cogumelos venenosos com cogumelos comestíveis. Podem até ter aparências semelhantes, mas os efeitos são completamente distintos, pois uma é a morte da outra. A iniciativa é a qualidade natural de uma mente livre, enquanto que a prática da competição é a submissão voluntariamente aos grilhões da escravidão. Enquanto que a competição nasce da dependência, buscando imitar a iniciativa de forma enganosa, na renuncia de toda liberdade de pensamento para criar ou improvisar, a iniciativa resgata a dignidade de pensamento através do aumento da autoconfiança e capacidade de raciocínio criativo. Mentes livres são construídas pela iniciativa, enquanto que pessoas insensíveis e hipnotizadas por valores não humanitários são fruto do processo de competição. Seja criativo, tome iniciativa para a solução dos teus problemas. Isso vai desenvolver uma auto imagem positiva e sólida. As pessoas a tua volta, da mesma forma que a natureza irão te agradecer e retribuir.

viernes, 26 de noviembre de 2010

A SAÚDE E O ESTADO CRÍTICO DAS COISAS

20-11-2010


A saúde e o estado crítico das coisas



Indiscutivelmente a medicina com seus métodos preventivos e curativos deu um salto jamais visto no século passado e seu barco continua de vento em popa. Ainda que a AIDS tenha baixado a expectativa de vida em alguns países da África, a maioria absoluta dos países aumentou a expectativa de vida de sua população em duas ou três décadas. Temos, no entanto, em pleno início desse novo século, uma estatística que nos mostra que as pessoas estão ficando doentes em idades cada vez mais tenras e também a freqüência tem aumentado. Ainda que de forma didática se tenha dividido as doenças em físicas e mentais, sabemos que o ser humano é único e toda sua forma de ser, inclusive as doenças, precisa ser vista e estudada a partir de uma amplitude até há pouco não considerada.

Cada vez mais as doenças derivadas do estresse- incluindo aí a depressão e a ansiedade, têm sido comuns em nossa sociedade, principalmente nas grandes cidades. A situação é tão alarmante que a OMS(organização Mundial de Saúde) alerta que de cada dez consultas médicas, sete delas são conseqüência de problemas nutricionais. Estudos clínicos dentro dos critérios da ciência sugerem que de 50% a 75% de todas as idas aos postos médicos, sobrecarregando os sistemas de saúde do mundo inteiro, se devem principalmente a patologias derivadas do estresse. Hoje essas doenças matam mais do que o fumo. Oito em cada dez medicamentos vendidos nos EUA servem para tratar problemas direta ou indiretamente relacionados com o emocional: antidepressivos, ansiolíticos e pílulas para dormir; antiácidos para azia e úlceras e alguns outros para pressão alta. Para se ter uma idéia, nesse mesmo país, há alguns anos atrás, três dos medicamentos mais vendidos eram o Prozac, o Paxil e o Zoloft. Todos os três são antidepressivos. Estima-se que um em cada oito norte americano já usou antidepressivos. O pior é que as percentagens têm aumentado a cada ano.

Mas, se temos problemas psicológicos e afetivos é porque temos emoções e sabemos que sem elas a vida não teria a menor graça ou sentido. Como nos ensina o cientista e psiquiatra Frances Dr. David Servan-Schreider, autor do Best seller “ curar o estresse, a ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise”: sem amor, beleza, justiça, verdade, dignidade, honra e a satisfação que cada uma delas proporciona, o que tornaria a vida digna de ser vivida?

Sabemos que a medicina tem se utilizado de dois caminhos para tratar os problemas relacionados com o estresse, a ansiedade e a depressão, que são os pilares dos tratamentos emocionais: as psicoterapias e as medicações, ainda que existam técnicas alternativas eficientes. Pesquisa da Universidade de Havard mostra que os americanos que sofriam desses tipos de problemas preferiam se tratar por “métodos alternativos e complementares” do que as tradicionais psicoterapias e medicações. Nas psicoterapias, existem várias técnicas. Talvez as duas principais utilizadas sejam a psicanálise e as terapias cognitivas-comportamentais. Ainda que muitos teóricos considerem que a primeira seja mais efetiva e a segunda mais eficaz, a verdade é que ambas ficaram abaixo das expectativas em eficiência em termos de saúde pública. A psiquiatria biológica, através da medicação psicotrópica como o Prozac, Zoloft, Paxil, Xanax, Lítio,Zyprexa e tantos outros, domina o campo de intervenção em termos de saúde publica. Esses medicamentos, ainda que em algumas fases da dor psíquica sejam muito úteis para os pacientes, produzem efeitos colaterais altamente indesejáveis, dependência e são comprovadamente pouco eficazes em termos de remissão da patologia.

Uma revolução silenciosa está se operando para o bem em termos de saúde e muita gente tem se beneficiado. Ela é silenciosa porque contraria grandes interesses econômicos e muitos egos superlativos espalhados pelo mundo, situados principalmente dentro do mundo acadêmico. Estamos falando de nutrição celular que elimina em menos de um mês grande parte das doenças, diminuindo a necessidade de utilização de medicamentos. Estamos falando de metafísica e espiritualidade que restaura a solução dos problemas de dentro para fora a partir da força de onde todas as forças se originam, fonte inesgotável a nossa disposição no Universo em qualquer lugar e em qualquer momento, dando-nos a chance de resgatar o controle de nossas vidas e de nossa saúde, libertando-nos do jugo dos laboratórios. Todas essas técnicas se derivam de tradições multimilenares, ainda que a ciência esteja dando uma roupagem atualizada. Tantas outras técnicas, principalmente se usadas em conjunto, são altamente eficientes e, por serem naturais, sem nenhuma contra-indicação. Lembramos , dentre outras, o EMDR( Eye Movement Desensitization and Reprocessing), a acupuntura,os exercícios, a coerência cardíaca, a energia da luz e a programação do relógio biológico, e os ácidos graxos-3 como alimento cerebral. Infelizmente, a maioria absoluta dos médicos e psicólogos que procuramos ainda ficam limitados às psicoterapias e às medicações.

Quero um gordo para Presidente

27-06-2009


Quero um gordo para Presidente



Tem-se cometido muita injustiça com os gordos. Criou-se cotas para tanta coisa favorecendo tanta gente, mas os gordos que eu saiba não foram beneficiados. Pois defendo que nas próximas eleições presidenciais seja garantido pelo menos uma vaga para candidato que seja gordo. Não me refiro a sobrepeso, alguns quilinhos a mais. Gordo da gema para mim tem que ter mais de cem quilos, tem olhar triste, dificuldade para andar, e correr então nem se fala. Se houver um candidato obeso, ótimo, não importa o plano de governo nem o ministro da fazendo que vai escolher, eu votaria nele e faria propaganda para que meus amigos e todas as pessoas que eu conheço também votassem nele para que fosse o próximo presidente da república. Me acompanhe no raciocínio.

Elegemos por duas vezes um ex sindicalista para presidente. Conheço pouco da historia desse homem, e o que sei li em revistas e jornais na época em que pensava que esse tipo de leitura não fosse lixo. Sei que é nordestino, passou fome na infância que lhe foi extremamente dura e migrou para o Estado de S Paulo para tentar mudar de vida. Depois de muita luta, esforço e vários empregos, conseguiu um trabalho de torneiro mecânico que lhe deu uma qualidade de vida bem melhor do que a que tivera na infância. Mas o que quero salientar na história de nosso presidente é que passou fome. Dizem que a fome tem cor pois quem passa muita fome começa a enxergar tudo numa determinada tonalidade. Não sei se é verdade nem se nosso presidente chegou a tanto, mas a verdade é que a experiência lhe foi muito marcante. Tão marcante que com o poder conferido pela presidência da república de um país como o Brasil, resolveu ajudar a todos os irmãos brasileiros que passavam fome. Criou vários programas de erradicação da fome e muita gente conseguiu encher a barriga pela primeira vez na vida. Outros presidentes não fizeram isso antes porque nunca sentiram no estômago e no corpo as consequências da fome. Nosso presidente conseguiu transformar uma quase tragédia pessoal em uma mola de mudança para milhões de pessoas que passam fome.

A fome e a obesidade são inimigas e não conseguem conviver. A desnutrição por incrível que pareça consegue estar no mesmo corpo com a obesidade, mas a fome não. Lula que eu saiba nunca foi gordo e muito menos obeso, ainda que a última vez que vi uma foto sua me pareceu que esteja precisando perder peso. Mas se esse homem quando entrou na presidência tivesse comido muito e ficado obeso, ruim para ele mas ótimo para a multidão de obesos e eu seria a favor de um terceiro mandato pois ele teria tido tempo de sentir no próprio corpo os efeitos destrutivos da obesidade. Com isso teria lido as estatísticas que estimam em mais de 40 milhões o número de obesos no Brasil, grande parte deles já doentes, sofrendo, sobrecarregando os familiares e o sistema público de saúde. O pior é que esse número cresce dia a dia, pois essa tem sido uma tendência no mundo ocidental, como consequência de propaganda massiva de comidas calóricas chamadas de fast food(comida rápida), mas que não passam de lixo alimentar.

Se obeso, nosso presidente poderia aproveitar o tempo de presidência que lhe resta para criar programas de combate à obesidade e salvar tanta gente que sofre e gasta o que tem e o que não tem em busca de uma saúde que não voltará enquanto não fizer uma reeducação alimentar. Toneladas e toneladas de gordura iriam ser queimadas e substituídas por ótima auto estima, muita saúde e elogios dos amigos e familiares. Reeducação alimentar custa bem menos do que dar de comer a milhões de esfomeados que não desenvolveram habilidades mínimas que lhes garantam uma atividade produtiva, criando uma dependência perigosa do poder público. Quero um gordo na presidência!

* Psicólogo, Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.

É pecado ser pobre

20-06-2009


É pecado ser pobre



A primeira vez que ouvi essa frase detestei quem falou pois eu havia estudado muito e era pobre. Mas como a pessoa que falou não tinha nem curso superior e tinha escalado degraus muito mais altos em termos de realização pessoal e financeira do que eu que tinha nível de pós-doutoramento e ainda por cima era mais novo que eu, me dei conta que ele poderia estar certo e resolvi parar para pensar, e hoje estou seguro que ele estava certo quando falou isso. Me dei conta que não havia simpatizado nem com ele nem com o que disse porque estava me mostrando uma dura realidade. Aceitar como verdadeira sua afirmação era admitir minha mediocridade. Para um homem na época com 55 anos e com toda a arrogância de um acadêmico, não me pareceu justo que um sujeitinho sem meus títulos pudesse ousar me falar aquilo. Acostumado que era a ser convidado a dar conferências em tantos congressos no Brasil e no exterior, com um currículo vistoso, me soava insano tal afirmação. Mas alguns banhos em água fria deixaram escapar alguma reflexão em minha mente e comecei a me perguntar porque eu o tão estudado era tão menos bem sucedido economicamente do que o tal sujeitinho. Uma frase que eu já havia escutado anteriormente me veio a mente e colocou combustível na fogueira de meu questionamento. Essa frase afirmava que devemos ouvir as pessoas que tem melhores resultados.O conferencista era eu mas quem ganhava dinheiro era ele. Aqui estou falando de resultados econômicos. Sem hipocrisia. Tanta gente tem uma relação tão doente com o dinheiro que nem se dão conta. Chegam a citar passagens bíblicas para justificar a pobreza. O que a bíblia condena é o apego ao dinheiro e não o fato de se ter dinheiro para se ter uma qualidade de vida melhor e poder ajudar as pessoas.

O primeiro grande problema que induz a pobreza é o sistema educacional tanto familiar quando escolar que nos condiciona para o mercado do trabalho. Crescemos pensando em estudar para ter um bom emprego e ganhar dinheiro para nos sustentar e a nossa família. Confesso que a vida inteira aprendi isso e até há pouco tempo acreditava nisso. Quando eu entrei na universidade creio que tinha 22 anos e decidi que iria trabalhar muito até os 45 anos para ganhar bastante dinheiro e então curtir a vida. Evidente que não tive sucesso, mas não foi porque não tenha trabalhado muito e sim porque me induziram a crer em papai noel e em duendes. Você leitor, puxe sua memória, seja honesto e me diga quantas pessoas você conhece que enriqueceram honestamente sendo empregadas? você pode lembrar de alguns que têm uma vida econômica razoável ou até boa, mas trabalham feito burro de carga, vivem estressados com sérios problemas de saúde e afetivos.

Quando você aceita ser empregado como sendo essa sua única opção para ganhar dinheiro, está sem se dar conta entregando sua vida nas mãos do patrão. Ele quem decidirá quanto você vai ganhar, o que vai fazer, o horário para entrar e para sair e quando vai tirar férias. E o dia em que ele acordar de mal humor e olhar para você e achar que você não gostou lhe colocará na rua sem lhe perguntar se tem prestações para pagar ou se a esposa esta grávida ou se tem comida em casa. Sua vida passa a ser controlada pelo patrão. Viu a enrascada que te induziram a se meter? isso é tão profundo na cultura capitalista de entregar o controle do próprio futuro nas mãos de um patrão, que muitas pessoas quando não conseguem um emprego ou o perdem, ficam parados em casa ou em frente a porta de casa dias a fio ou vao para um bar beber- fiado pois não têm dinheiro, como se fosse uma hora chover dinheiro do céu. Aparece alguém e lhes oferece uma oportunidade de trabalho para mudar suas vidas com ahcnes de ficar ricas que não seja emprego e elas dizem que não tem tempo.

Que na podem. Que estão esperando uma oportunidade que um amigo falou la da empresa onde ele trabalha. Essas pessoas não aprenderam a administrar seu próprio tempo, sua própria vida, nem o pouco dinheiro que um dia ganharam e não possuem disciplina pessoal. Tenho como amigos aqui em Portugal vários ex militares muito bem sucedidos como empreendedores e me dei conta que o traço em comum que todos tem é a disciplina. Quando se passa décadas de vida convencido que o trabalho assalariado é o único caminho e se descobre como eu o grande embuste que isso representa, apenas uma auto-superação e força de vontade contínuos podem permitir a mudança de velhos e falsos paradigmas por outros mais adaptativos para que se consiga a alforria.

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.

A mente mente - Parte II

13-06-2009


A mente mente - Parte II



Em outra grande formação que fiz aqui em Portugal em Figueira da Foz, uma linda cidadezinha a beira-mar, quem deu o treinamento era um judeu que chegou ao Brasil sem saber falar uma so palavra em português, com mulher e dois filhos e sem dinheiro. Ele tinha somente uma coisa: Visão. Passou as maiores dificuldades que um ser humano pode passar, enfrentou sua mente todos os dias, todas as horas, todos os minutos para continuar pelo caminho de espinhos e não trilhar a rua que desce voltando para Israel e viver com os pais. No meio da necessidade, ele conseguia ter uma vida fantástica e absolutamente nada o abatia e era a visão que tinha do futuro que lhe proporcionava esse estado interior de bem estar. Fez tudo o que devia ser feito enfrentando a mente mentirosa e hoje tem tudo o que quer e pode escolher fazer ou não fazer tudo o que quer na hora que quer. Ele sabia a partir da visão que estilo de vida não era o que ele tinha mas o que ele era. Sabia também que a maior riqueza não depende de dinheiro. Sabia sim que a verdadeira riqueza é tudo o que sobra quando o dinheiro acaba pois o dinheiro pode comprar uma linda cama mas não uma noite tranquila de sono. Pode comprar um lindo apartamento mas não pode comprar um lar. Pode comprar uma linda roupa mas não pode comprar a auto estima.

Pague o preço pelos seus sonhos e todos se realizarão. Você terá o sucesso que decidir ter. Potencialidades você as tem muitas, mas tua mente te convenceu a ser um bonsái e não uma palmeira real. Você quer ser a primeira ou a segunda planta? Decida e pague o preço pois, se quiser que os teus próximos cinco anos sejam diferentes dos últimos cinco anos, terá que fazer coisas diferentes e pagar o preço. Terá que deixar de lado suas novelas, seu futebol, sua festinha regada a cerveja com os amigos. Terá que usar muitos dos teus finais de semana para aprender e não se divertir. Terá que assistir menos televisão, ver menos filmes e noticiários. Participará de menos churrascos e mais treinamentos. Teus filhos ficarão um tanto privados de você mas eles um dia te agradecerão por tudo o que esse teu esforço vai proporcionar a eles. Não seja uma pessoa comum.

As pessoas comuns não investem em conhecimento e treinamento. Elas são dominadas pela propaganda. São consumistas, mas vivem se queixando pois querem consumir mas não têm dinheiro. Não percebem que o TER vem depois do SER e FAZER. Pessoas extraordinárias são agentes da própria historia. Constroem o futuro vivendo plenamente o presente. Usam o passado apenas para aprender com os erros que cometeram. Quando não encaramos as coisas difíceis, elas sempre serão difíceis. A maioria dos problemas não existe porque na verdade o grande problema é você. Resolva-se e os problemas deixarão de existir.

Quanto mais alto você voar, menos pássaros encontrará ao teu lado. A águia pode voar onde voa o pombo, mas o pombo jamais vai conseguir voar onde voa a águia. Todos nascemos águias, mas a maioria, enganada por sua própria mente e pela propaganda decide ou se torna pombo ou vaquinha de presépio. Esteja sempre com pessoas bem sucedidas. Voe junto das águias por mais difícil que no início possa parecer, pois se voar com os pombos será sempre um deles e acabará comendo o milho da esmola providenciaria. Se teu sonho é apenas ser pombo saiba que o preço a pagar será imenso e teus filhos te cobrarão por isso. É a palmeira real que aos poucos perde todos os sonhos ou nem ousa sonhar e se transforma em bonsái. Hoje os problemas parecem maiores que você. Ao pé da montanha, quando você olhar para o topo e voltar a olhar para o longo caminho terá medo e vontade de nem começar ou de desistir logo nos primeiros passos.

Mas se tiver visão também, olhando para o topo, vendo tudo o que terá ao chegar la e caminhando sempre focando teu olhar no topo e jamais nos problemas do caminho, você chegará la. Agora a montanha parece ser muito maior que você, mas se usar a visão e ir caminhando, aos poucos a montanha vai ficando menor e um dia estará todinha sob teus pés. Quanto mais você cresce tudo vai ficando mais abaixo. Nas alturas é como olhar para baixo de dentro de um avião a 36 mil pés, tudo esta abaixo de você. Essa é a tua hora! Esse é o melhor momento para mudar a tua vida! Fixe teu olhar no topo dos teus sonhos e jamais mude o foco e você chegará la, e saiba que no percurso teu maior inimigo será sempre a tua mente e suas mentiras.

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.

A mente mente - Parte I

06-06-2009


A mente mente - Parte I



Participei de uma grande formação em nível nacional aqui em Portugal, na linda “Veneza portuguesa”, a simpática cidade de Aveiro um pouco menos de 100 Kms aqui do Porto onde moro. Foi uma maratona de dois dias com conferencistas altamente bem sucedidos tanto em níveis pessoais quanto em níveis financeiros aqui de Portugal e de outros países aqui da Europa. Observe que eu não disse que eram acadêmicos ou doutores. Eu disse que eram pessoas extremamente bem sucedidas e aprendi que devo ouvir quem tem os melhores resultados e não os que tem mais títulos. Se quem tem títulos obteve os melhores resultados quero ouvi-los também, mas não foi esse o caso. Me chamou a atenção em especial um conferencista vindo da Itália chamado Carlos Calçada Bastos, que você certamente nunca ouviu falar seu nome e muito menos teve a chance de fazer uma formação com ele. Aprendi nos dois dias com esse homem o que não aprendo em um ano de estudos acadêmicos. Usarei meu caderno de notas e darei uma colher de chá aos que me honram com a leitura dessa coluna. Nessa e na coluna do próximo sábado escreverei sobre essas ideias.

EU que pensava que minha mente era minha grande aliada, percebi que ela vive mentindo para mim o tempo todo e isso foi um choque pois vi que ela(a mente) é minha inimiga sendo a grande aliada do fracasso, situação oposta a que persigo que é o sucesso. Entendi que a minha mente é o instrumento da mediocridade. Ela me faz sentir bem com os erros que cometo, justificando tudo para que eu permaneça cômodo e não mude absolutamente nada. Ela mente somente para você mesmo. Ela te diz: “ o vizinho esta bem sucedido porque tem sorte ou porque roubou”. Você, acreditando nisso, faz mal juízo do vizinho e justifica teu fracasso. Terrível mas é assim que acontece.

Cuidado com tua necessidade de ter razão sempre. Na vida todos tem razão. É somente uma questão de pontos de vista diferentes. O que deve te fazer refletir é onde tuas justificativas irão te levar. Olhe os últimos cinco anos da tua vida. Você esteve sempre cheio de razão, mas continua muito insatisfeito e reclamando pois ainda não percebeu que quem tem sucesso não é porque tem sempre razão, mas porque teve a humildade de ouvir e aprender com os outros e tolerar as frustrações, frutos de expectativas e paradigmas equivocados. O bom mesmo é não precisar ter razão pois quem quer ter razão sempre tenta esconder uma baixa auto estima e, para se afirmar, quer provar que está certo sempre, se negando a perceber que está errado. As coisas nas quais realmente se precisa ter razão são bem poucas na vida. O resto é confusão. Quem precisa ter razão sempre tem a mente fechada e mente fechada é como pára-quedas fechado, não é útil e ainda nos coloca em perigo.

Nossa mente vive nos enganando porque é mais fácil pegar as ruas que descem e não as que sobem e nessa descida você vai encontrar uma multidão pois as pessoas não percebem a armadilha criada por sua própria mente. O problema é que no final dessa descida você vai encontrar apenas o fracasso e descontentamento e tua mente mais uma vez vai te dizer que é assim mesmo pois tanta gente também está na mesma situação e mais uma vez você se justifica através da mentira da tua mente. Tua culpa pode diminuir mas o teu fracasso estará sacramentado e isso te custará muito caro por toda a tua vida. Trilhar a rua que sobe exige esforço e domínio sobre a mente. A cada passo ela te falará que é difícil, que não vale a pena caminhar, que está cansado demais, que precisa descansar e um milhão de outras justificativas. Todos dizem que querem ter sucesso na vida e muitos até chegam a iniciar os primeiros passos em direção ao sucesso na rua que sobe, mas não estão dispostas a pagar o preço para chegar ao sucesso. E quem persevera todos os dias, todos os dias caminhando, verá aos poucos que está subindo a montanha e quanto mais sobe, menos gente terá por companhia. As pessoas que chegam no topo tiveram visão. Essas pessoas de visão têm uma vida fantástica não pelo sucesso que já tem, não pelo dinheiro que já ganharam, mas pela visão que têm conseguem ter a vida fantástica. (continua próximo sábado).

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

Educação: Só 500 anos?

25-07-2009


Educação: Só 500 anos?



João comprou uma casa há trinta e quatro anos na planta. Era, aliás, o único terreno ainda disponível na rua, onde foram construídas 15 casas. Logo atrás havia uma invasão, com uma casa e uma família. À medida que os filhos iam casando, mais um “puxadinho” aparecia, depois uma lage, e outra mais. Hoje, os netos estão casando, as casas até melhoraram (com a ajuda em tempos de campanha eleitoral), mas as pessoas que as habitam não. João estava varrendo o quintal de sua casa num desses dias, quando uma mãe, na casa vizinha, despejou, aos berros, um palavrório de baixo calão, com expressões chulas, sobre a filhinha de uns 2 ou 3 anos, que deve ter feito alguma traquinagem. Aí João pensou com os seus botões: eu dava uns 500 anos para o nosso país conseguir educar seus filhos para a cidadania, respeito e solidariedade, além de ensinar as disciplinas nas escolas. João é um homem esclarecido e costuma dizer que somos um país jovem de apenas quinhentos anos de existência, mas que estamos no século XXI, com todos os meios modernos de comunicação e com as facilidades de locomoção. Se não mudamos o sistema educacional não é por falta de conhecimentos, mas por má fé de alguns aos quais não interessa que as pessoas pensem e tenham espírito crítico. Por isso buscam homogeneizar as mentes para mais facilmente controlá-las.Caiu-lhe nas mãos um documento, bem a propósito, que lhe fez refletir e do qual fez questão de destacar alguns trechos:

“A indolência, a preguiça, o desânimo no labor da vida; as palavras do mendigo que supplica a caridade pública; os gemidos do esfaimado“ são conseqüências da “falta de instrucção”.“No homicídio perpetrado pelo cidadão pela embriaguez ou pela paixão” temos os sinais da “falta de instrucção”.

O documento aponta também outras causas importantes:“Folguem no desvario da estultice os ricos, os potentados, os aristocratas, engolfados no gozo da fortuna e nos arrobos das posições officiais, no aviltamento moral...”Enquanto “a máxima parte da massa popular sofre por falta de recursos próprios para se instruírem, o governo não lhes facilita a instrucção. É, sem dúvida, um abuso do poder, um erro de política, uma decadência moral, carcomendo os alicerces da instituição política”.Os dois parágrafos anteriores mostram de onde vem o mau exemplo!“Sem liberdade e sem mérito o homem se equipara às bestas.”“Obrar sem responsabilidade é bestar. Responsabilidade sem pleno conhecimento dos actos responsáveis é barbárie.”“Os governos têm o dever de aperfeiçoar os cidadãos”.“É preciso, necessário, urgente a instrucção dos cidadãos; educá-los intelectual e moralmente, despertar-lhes o amor ao trabalho, estimular-lhes o brio, excitar-lhes o amor de si, fazê-los aspirar o apreço publico de sua personalidade; promover-lhes o estímulo de economia; e a que apreciem as vantagens da riqueza honrosamente adquirida, e adquirível pela actividade própria.”“Instrucção, e somente instrucção, será a senha do progresso e do engrandecimento da humanidade”.

João logo esclarece que não transcreveu nada errado e informa que esse documento foi escrito em 1879 pelo Dr. Augusto Carneiro Monteiro da Silva Santos, Médico pela Faculdade da Bahia, Professor Cathedractico do Gymnasio e do terceiro anno da Escola Normal, no Recife. João constata desolado que se em 130 anos não houve mudanças significativas, então o seu prognóstico de mais de 500 anos não está tão fora da realidade. João acredita que a educação familiar, instrução nas várias disciplinas, mas principalmente a formação pessoal e de caráter são os principais instrumentos de uma boa educação. Vai mais longe ainda afirmando que não adianta formar um técnico que não tenha a noção plena de cidadania e respeito aos outros e a natureza. Ele sabe que o berço da educação está nas famílias e nas escolas onde os valores básicos humanitários deveriam ser incentivados nas crianças. Ele sabe também que a solução não está na multiplicação de programas de assistência, mas em projetos educacionais que formam cidadãos comprometidos com o bem coletivo. Mas ele está desolado e torce para estar enganado quanto ao tempo que isso levará!

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

* Teólogo, 81 anos, professor, ex- coordenador do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (Deutscher Entwicklungsdienst) e da Fase (Federação de Órgão para Assistência Social e Educacional) em Recife.
Autor do livro “confiteor, confesso, megvallom – Memórias de um homem comum”, 2004. gatihaj@gmail.com

Admirável mundo novo

18-07-2009


Admirável mundo novo



O mundo é uma reprodução da mente humana. Todos os conflitos que existem no mundo são a reprodução em forma ampliada dos conflitos da mente. Assim toda vez que achar que o mundo é injusto, toda vez que achar que as pessoas são muito más, que elas são egoístas, que não sabem amar, que roubam, que são capazes das maiores atrocidades e tudo isso te for incompreensível, mude o foco, olhe para dentro. Não importa onde quer que você esteja, onde quer que você more, com quem você conviva. Não importa também o quão má parece a pessoa que está do teu lado. Pouco importa as mazelas dos políticos e as fraudes. Sei que isso tudo te deixa perplexo e confuso. Pois saiba, toda essa percepção de mundo que você está tendo e que aparentemente te causa tanto mal, primeiro é uma expressão do teu mundo interior, segundo é uma mentira da tua mente. Sim já abordei esse assunto antes.

Se você trabalha e também fuma e um determinado dia percebe que está com problemas de saúde tua mente te dirá que é porque você tem trabalhado muito, que teu chefe é um carrasco, que o trânsito está infernal, que a criminalidade te deixa estressado, que teus vizinhos fazem muito barulho e um monte de outras mentiras e asneiras. Quando você se lembra do cigarro, tua mente te diz que você tem direito ao prazer, que você não tem feito nada para se divertir, que tua vida é um constante sacrifício, que você é livre e pronto teu cigarro continua no teu bolso e você acredita que a causa da tua doença é realmente teu trabalho. E quando você diz para teu filho que não tem dinheiro para ele ir ao cinema ou mesmo para comprar uma comida, você está convicto que realmente não tem dinheiro pois se teu filho for ao cinema vai faltar dinheiro para pagar as contas no final do mês. Mas quando sente a vontade de fumar tudo muda. Tua mente constrói um sistema de raciocínio perfeito e você fica convencido que teu dinheiro estará sendo bem empregado em mais uma carteira de cigarro.
O mesmo acontece com comer em excesso, tomar cerveja ou outra bebida alcoólica. Todos sabem que comer em excesso principalmente alimentos ricos em gorduras e carbohidratos, além de não ser saudável também engorda, mas muita gente se permite comê-los pois são enganados pela própria mente. São vítimas de si mesmas.

Um diabético sabe que não pode ingerir determinados tipos de comida mas o que a sua mente lhe diz? Ah um pedacinho somente! Ah todo mundo vai morrer mesmo, então porque não comer! Ah eu estou bem de saúde e isso não vai me fazer mal! A mente mente e o que se deixar enganar e embarcar nos seus argumentos, seu corpo lhe cobrará uma pesada fatura em termos de doença, dores, fraquezas. Sairá da garantia muito antes do prazo e talvez nunca mais consiga voltar, porque se deixou encantar pelo canto da sereia, no caso a própria mente.

Tua mente é tua inimiga maior. Puxa vida, tua mente te trata como um tonto e você se degusta em vestir a roupa de um tonto, a pensar como um tonto, a agir como um tonto, a justificar tudo como um tonto. Não te enganes, os ventos sempre sopram em direção ao fracasso. Ladeira abaixo você não precisa fazer força para se deslocar, mas olha o precipício que te espera! Chegar no topo da montanha exige disciplina, exige esforço, exige persistência, exige muito trabalho, mas olha as recompensas que te esperam. Nas formações que tenho feito nos últimos anos me convenci que as justificativas são os argumentos dos fracassados. Impressionante. Uma pessoa de sucesso, uma pessoa de visão, você apresenta a ela uma oportunidade e ela por mais ocupada que seja, percebe a oportunidade e encontra tempo para conhecê-la e depois de a conhecer a agarra com afinco se perceber que realmente é interessante. Uma pessoa comum, uma pessoa fracassada, quando lhe é apresentada uma oportunidade, mesmo quando está desempregada ou então ganhando pouco mais que um salário mínimo no emprego, nem olha para a oportunidade e começa a se justificar. Não pode porque o filho está doente. Não pode porque não tem tempo. Não pode porque a mulher reclama. Não pode porque tem estado muito cansado. Não pode porque está com a unha encravada. E ele está certo, realmente todos os argumentos são verdadeiros, mas onde o irão levar todas essas justificativas? Pois não se dá conta que é um tonto usando justificativas tontas que irão perpetuar o fracasso. Essas são as milhares de pessoas que você encontra e que vivem se queixando da vida ou reclamando do governo em casa ou num bar ou depois de um racha de futebol entre uma cerveja e outra, entre um cigarro e outro, entre um refrigerente de coca e outro. Morreram mas ainda não tiveram a coragem de assumir a posição horizontal.

Assim, quer mesmo entender todos os males do mundo, todas as suas contradições, toda a maldade humana, volta-te para dentro de ti mesmo, coloca um espelho para que não te escape nada pois será duro se dar conta que o mundo la fora é teu mundo interior exteriorizado e amplificado e que você vive um mundo de mentiras criado por tua própria mente. Refugia-te na solidão do deserto da tua mente, jejua e pensa por 40 dias e 40 noites.

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

Mercado de Trabalho

15-07-2009


Mercado de Trabalho



Estive há dois meses atrás em Barcelona na formatura de uma de minhas filhas. Foram momentos muito especiais de carinho, reconhecimento e conquistas. Sempre aprendo muito em contato com as pessoas. Elas são uma das minhas principais fontes de aprendizado e sou muito grato a todos por isso.

Minha filha formou em medicina, um curso difícil e longo, que exigiu dela muitos sacrifícios que somente ela e seu marido sabem. Sua formatura foi num sábado, na entrada do hospital onde ela trabalha que é o Hospital Escola da Universidade Autônoma de Barcelona, onde fez seu curso. Toda a festa, com comes e bebes foi oferecida pela própria universidade. Tudo simples e solene como deve ser. Esse sábado, dia 20 de junho de 2009, sei que ficará na sua memória para sempre, pois não foi apenas o reconhecimento de uma grande conquista, mas também se revestiu de imenso significado afetivo pois seus pais, sua única avó viva e todos os seus irmãos, além de alguns amigos, todos estavam presentes no ato da formatura. Pois bem, minha filha trabalhou no hospital normalmente até na sexta feira, véspera da cerimônia, curtiu o sábado e domingo com sua família, e segunda feira já estava novamente trabalhando no seu horário normal no hospital. Isso me causou admiração e quero fazer algumas considerações a respeito.

Desde pequenos somos treinados e condicionados a aprender uma profissão para ter competência e competir com milhares ou milhões de pessoas por uma vaga em algum emprego. O que quero salientar é que nossa cabeça é direcionada para sermos empregados, ainda que sempre fique aberto a possibilidade de alguém sobreviver financeiramente de outra forma, mas a cabeça de todos sofre um grande bombardeio em direção a ter uma profissão e arrumar um bom emprego. A maioria das pessoas acabam fazendo isso, enquanto que alguns escolhem o outros caminhos para ganhar dinheiro, quer seja abrindo um negócio próprio, quer seguindo uma profissão liberal como medicina e outras mais, que permitem as duas possibilidades ou seja, tanto ser empregado como seu autônomo.

Quando alguém decide ser empregado, ainda que nem sempre tenha consciência disso, resolve renunciar a própria liberdade em termos profissionais e financeiros e entregá-la nas mãos de um estranho que é o seu patrão. Ele decidirá quanto vai ganhar, o horário de trabalho a ser seguido, o que deve fazer e as férias serão marcadas em datas que melhor lhe convier. O dia em que o empregador considerar que o trabalho desenvolvido pelo empregado não lhe interessa, lhe demite sem lhe perguntar se tem prestações de dívidas a pagar ou se a esposa esta grávida. A vida do empregado é toda programada a partir dos compromissos do trabalho e o tempo que lhe sobra o gasta em compromissos com a família ou então com descanso e lazer. Terá dificuldades para tomar iniciativas em direção a se auto gerir em termos profissionais e financeiros, com freqüência reclama do trabalho e do patrão e sabe de antemão que seus ganhos serão limitados e dependerão mais da boa vontade de quem lhe paga do que da sua própria capacidade. A vantagem imediata que alguém tem em começar a ter um ganho que possa permitir seu sustento e da família,a médio e longo prazo se transforma em um problema pois limitará seu crescimento profissional e financeiro.

Algumas pessoas resolvem investir em um negócio próprio.Precisam estudar o mercado na área onde pretendem trabalhar e investir valores variados dependendo do tipo de negócio e no início quase sempre passam grandes dificuldades. Essas pessoas se condicionam a tomar iniciativas e aprendem a gerenciar o próprio tempo e dinheiro, não necessitando de ninguém para tomar decisões por eles. Quando sabem gerenciar o negócio e persistem, com o tempo começam a colher os frutos do investimento e do trabalho e seus ganhos vão aumentando. Hoje, a modalidade mais lucrativa de negócio próprio que está sendo adotada por grandes empresas no mundo todo é a venda de produtos através do marketing de rede. Distribuidores autônomos ou independentes têm ganhos pelas vendas diretas e recebem royalties- uma espécie de direito autoral- pelas pessoas que trazem para a rede e consumem o produto. Essa modalidade permite ganhos ilimitados. Empresas como a Herbalife, na área de nutrição e controle de peso, tem entre seus quadros distribuidores independentes ganhando verdadeiras fortunas por mês.Essas pessoas, com o tempo, por fazerem o que deve ser feito, adquirem o controle de suas vidas e podem então fazer o que gostam e quando querem fazer.

*cvital@mailcity.com

Nem tudo que reluz é ouro

11-07-2009


Nem tudo que reluz é ouro



João é um homem maduro e tem vivido algumas contradições do mundo moderno e isso muitas vezes o angustia. Ele nasceu na roça no interior do Brasil em uma minúscula cidade. Reunindo todos os moradores seus vizinhos em um raio de cinqüenta quilômetros, talvez fossem pouco mais de cem. Aí passou toda a sua infância de uma forma humilde e desde muito cedo seu grande sonho era mudar-se para uma grande cidade. Qualquer uma lhe servia, mas a que mais lhe fascinava era Rio de Janeiro, pois uma vez tinha ouvido falar que essa cidade era tão linda que a chamavam de cidade maravilhosa.

O estilo de vida que João levou quando criança era totalmente distinto daquele que qualquer criança tem hoje em dia, principalmente nas grandes cidades. Não havia luz elétrica e com isso nem pensar em geladeira ou televisão. Também não havia essa parafernália de eletro eletrônicos e muito menos celular. A comunicação com o mundo se dava basicamente por um rádio cuja pilha que o movia era quatro vezes o seu tamanho e pesava uns 3 quilos. À noite, a casa era iluminada por um lampião a querosene e nas noites de inverno, com temperaturas beirando muitos dias zero graus, eram colocadas brasas em uma bacia de alumínio com cinzas que ficava embaixo de uma grande mesa, onde faziam as refeições seus pais e os seis irmãos pois dos outros cinco, uma irmãzinha tinha morrido ainda antes de João nascer e os outros quatro já eram mais crescidos e tinham realizado o grande sonho de João que era ir morar em uma cidade grande. Ao escurecer todos vinham para dentro de casa, comiam uma minestra ou um outro tipo de sopa feita por sua mãe com os legumes que produziam. Depois, por serem muito católicos rezavam o terço em família. Em seguida conversavam sobre o dia de cada um até que um dos pais contava uma estória depois de muita insistência de João ou um de seus irmãos e ao final todos iam para a cama. Quando muito tarde, esse horário não passava das nove horas da noite.

João levantava ao clarear do dia e ia com sua mãe e alguns irmãos capinar a lavoura pois tudo o que comiam era produzido por eles. O excesso de produção, principalmente de arroz e feijão, era vendido para levantar alguns trocados. Sua mãe cultivava com orgulho uma horta ao lado da casa que produzia todas as hortaliças conhecidas na região com abundância, pois adubava a terra com o esterco colhido das galinhas que ficaram presas no galinheiro para o abate, ou das poucas rezes que tinham no pequeno pasto e forneciam pelo menos cinco litros de leite todos os dias. Uma vez seu pai durante o almoço contou sobre a mesa doze tipos de qualidades de comidas e todas tinham sido produzidas por ele, sua esposa e seus filhos.
Como não havia água encanada, João com seus irmãos traziam em baldes a água para o consumo de um riozinho de águas transparentes que passava manso a menos de cem metros da porta de sua casa. Nesse rio João e seus irmãos se divertiam, pescavam, nadavam nus, tomavam banho quando a água não estava muito fria. Seu pai havia ido a cavalo até a nascente do rio e certificado que não havia nenhum poluente. Assim um dos prazeres de João e seus irmãos era tomar água diretamente no rio com a boca.

Hoje João vive em uma grande cidade como era seu sonho. Tem todos os confortos que a modernidade colocou na sua mente como necessidades. Já está no seu segundo casamento e tem uma filhinha de 3 anos. Seus quatro filhos do primeiro casamento moram longe e raramente os vê. Com sua atual esposa e filha saem para trabalhar as seis horas da manha, deixam a menina em uma escolinha e chegam de volta para pegá-la às dezenove horas. Sua mãe tem estranhado que a menininha às vezes não quer voltar para a casa dizendo que gosta da tia porque lhe dá atenção o dia todo, enquanto que sua mamãe e papai não. João e sua esposa saem sem comer nada de manha e ao meio dia comem sanduíches na rua, pois o dinheiro e o tempo de almoço são curtos. À noite improvisam em casa outro lanche.

Comem refeição completa somente aos finais de semana ou feriados quando ela cozinha. Tanto João quanto sua esposa estão com pelo menos vinte kilos acima do peso e ambos fizeram vários exames de saúde, pois têm ficado doentes com freqüência, sentem-se cansados, desanimados. O médico disse que o diabetes de ambos é conseqüência do excesso de peso e do tipo de comida que ingerem todos os dias. Indicou suplementos nutricionais para ambos dizendo que os alimentos hoje tem bem menos nutrientes e muito agrotóxico. Falou também que se não mudarem seus hábitos alimentares sua saúde irá se agravar cada vez mais.

Hoje João se dá conta que na simplicidade do dia a dia de sua infância, conseguiu receber da mãe terra os melhores alimentos e dos seus pais e irmãos todo o amor que uma criança precisa para se desenvolver bem e que hoje não tem tempo para dar para sua filhinha. Sim, hoje ele olha pela janela do teu apertado apartamento numa rua barulhenta e constata com pesar que era feliz e não sabia.

* Psicólogo, Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com