viernes, 26 de noviembre de 2010

Gratidão e Vingança

26-09-2009


Gratidão e Vingança



Zig Ziglar, grande comunicador na área motivacional, relações interpessoais e de casais é categórico em afirmar que o sentimento mais nobre é a gratidão e o mais destrutivo de todos é a vingança. O primeiro dos dois origina-se do instinto de vida e está voltado para fora enquanto que o sentimento de vingança tem origem no instinto de morte e parece estar voltado para fora, mas em verdade também está voltado para dentro. O sentimento de gratidão é nobre por expressar o reconhecimento pelo que se recebe. O sentimento de vingança causa muito prejuízo para quem o tem, quase sempre muito mais do que para o objeto a quem se destina, pois tantas vezes não se concretiza em atos e o outro não é atingido mas quem tem o sentimento negativo já foi prejudicado.

A primeira condição para a manutenção da sanidade mental é a elaboração de todos os sentimentos negativos relacionados com os outros. Qualquer sentimento de vingança, raiva, ódio e rancor, quase sempre destrói muito mais a quem o sente. Às vezes me surpreendo escutando pessoas culpando até Deus pelos problemas que têm. Estão tão mal resolvidas consigo mesmas e tão fracassadas que já não se satisfazem mais em culpar a esposa ou o marido, filhos, governo, vizinhos, políticos, trânsito e outras mil justificativas esfarrapadas para negar para si mesmos o quão fracassados são. O mais triste nesses tipos de mentiras é que essas pessoas mentem tanto que em determinado momento passam a crer piamente nelas e se tornam convictos de que o mundo é mau e que são vítimas dessa maldade. Não se permitem perceber que essa visão do mundo exterior é expressão do inferno interior que estão vivendo.

Aprendi que para estar bem consigo mesmo é necessário elaborar os sentimentos negativos para com os outros e a melhor forma é a gratidão. Ser grato a todos, mas principalmente àquelas aos quais temos algum tipo de sentimento negativo. Não é à toa que as religiões pregam o amor ao próximo, mesmo que seja inimigo seu.

Nascemos e vivemos cercados de tantos presentes que nem nos damos conta que alguém nos deu e quase sempre nos esquecemos de agradecer. Não me refiro a presentes que ganhamos de amigos e parentes para satisfazer desejos artificialmente implantados pela mídia e que em pouco tempo acabam. Me refiro a presentes magníficos e duradouros que temos todos os dias e nem nos damos conta. Nascemos com a vida, temos um pai e uma mãe que nos acolhem e nos cuidam e alimentam. A cada segundo respiramos e recebemos o oxigênio que nos mantém vivos. Nosso corpo é uma maquina complexa e quase perfeita. Ouvimos, sentimos, falamos, enxergamos e degustamos o sabor das comidas e nos damos conta da importância dos órgãos dos sentidos somente quando somos privados deles. Esconde-se uma plantinha debaixo da terra e eis que em alguns dias ou semanas, se for cuidada, brota uma planta e fornece alimentos e frutas. Em vez de percebermos tudo isso como um presente e preservar tanta coisa boa, esquecemos de agradecer e ainda envenenamos nosso corpo com lixo alimentar e álcool e a terra com venenos.

Estive reparando algumas orações clássicas do cristianismo como o Pai Nosso e Ave Maria. Essas orações trazem pouca gratidão e muitos pedidos. O ser humano, diante da grandeza de Deus e da sensação de impotência dada pelo magnetismo animal, tende a ignorar tantas dádivas que todos os dias recebe e se postula como um mendigo pedindo mais. Incrível, mas tem gente que levanta de manha, olha pra o céu e a luz do sol e se queixa do calor que vai fazer em vez de ver a grandeza de tudo que está ao redor e agradecer por ter tido uma noite tranqüila. Outros terminam o dia tarde da noite quando deitam na cama com a cabeça cheia de problemas e não são capazes de agradecer o dia que tiveram. Agradeça todos os dias a Deus por tudo o que você tem, inclusive por existir problemas e pessoas que te causam raiva. Seja menos chorão, peça menos e agradeça mais.


• Cláudio Vital de L. Ferreira: Psicólogo, Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU . Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal. E-mail: cvital@mailcity.com




Comentários (2)



Comentários




kellem
26-09-2009
muito boa mensagem Claudio, muitas vezes reclamamos do mundo em que vivemos mas na verdade temos muito mais á agradecer, a gratidão nos torna pessoas melhores...




erica
20-10-2009
ola Sr.Claudio, adorei ler esse texto, pois fez com que eu percebesse o quanto somos pidoes, muitas vezes negativos e outras vezes reclamoes!!!precisamos mesmo aprender a agradecer desde o amanhecer ate a silenciosa caida da noite. Obrigada pela suas palavras!!

Novo Capitalismo

19-09-2009


Novo Capitalismo



O capitalismo reina quase absoluto como sistema de organização político-social desde a desagregação da antiga Rússia e da queda do muro de Berlim. Seu objetivo número um é ganhar dinheiro. O século XXI parecia ser a grande oportunidade do capitalismo cumprir todas as promessas de um mundo melhor para os povos. O que se viu no entanto foi o agravamento dos problemas. Um dos seus princípios que é a competição realmente ajuda no processo de aumento de produção e qualidade dos produtos, mas o custo tem sido elevado. A competição é um tipo de sentimento originado do instinto de vida, mas que tem sido utilizada a serviço do instinto de morte, uma vez que tem levado a exploração do ser humano e da natureza ao extremo, assim como à concentração de renda. As bolsas de valores aprofundaram o conceito de riqueza virtual, relativa e subjetiva onde o valor intrínseco de produtos, serviços e riquezas é ignorado, dando espaço para o valor especulativo. Essa forma de lidar com as riquezas atingiu uma valorização exagerada de bens e riquezas a ponto de ultrapassar a capacidade de compra e pagamento da maioria absoluta das pessoas e todo o sistema começou a ruir. Em poucos anos mais de um trilhão de dólares- algo como 2.8 trilhões de reais- evaporaram-se de um dia para o outro deixando muita gente na miséria.
Um dos grandes problemas do capitalismo é estar assentado no princípio do egoísmo. Ainda que algumas leis tentem inibir exageros, elas têm funcionado como um paliativo pois a competição leva ao egoísmo e sem competição não há capitalismo e temos visto as conseqüências na vida das pessoas e na organização social o aumento constante dos problemas e da insatisfação pessoal.



Aos poucos, no entanto, tem surgido um novo capitalismo onde o egoísmo cede lugar ao desejo de ajudar pessoas. Ainda o objetivo número um continua a ser ganhar dinheiro, mas ajudando pessoas a se desenvolver e a ganhar dinheiro.Mudar o umbigo como centro de interesse e passar a preocupar-se com os umbigos alheios é um grande passo em relação ao capitalismo tradicional, cujas conseqüências são imensamente diferentes e construtivas. Esse novo capitalismo tem sido colocado em prática no Marketing de rede, também chamado de Marketing Multi Nível. Algumas grandes empresas tem adotado esse sistema para colocação no mercado de seus produtos.



Com esse sistema os produtos são vendidos diretamente por distribuidores independentes mas autorizados pelas Empresas, não sendo encontrados em supermercados ou estabelecimentos. Com isso já se economiza em aluguel, em funcionários e todos os custos relacionados.

A venda direta pelo Mercado Multi Nível(MMN) permite um tipo de ganho como qualquer outra venda. Mas o grande ganho está relacionado o patrocínio de novas pessoas que queiram desenvolver o negócio também. Quando isso ocorre, a empresa paga uma espécie de royalties por cada produto consumido por essa pessoa patrocinada e por patrocinados por elas. Quanto maior o grupo desenvolvido que venha para a rede e consuma os produtos e ainda traga outras pessoas para a o negócio, mais royalties a empresa paga. Esse é um tipo de ganho indireto como se um trabalho feito- trazer gente para a rede- começasse a render, independente de se continuar a trabalhar. Assim, quanto mais pessoas estiverem na rede trabalhando, melhor. Um novo patrocinado somente dará royalties para quem o patrocinou se conseguir desenvolver o negócio.



Assim é de interesse de quem patrocina ajudar muito ao outro pois somente ganhará dinheiro se antes o outro ganhar dinheiro. Um trabalho sério e persistente tem permitido que pessoas consigam verdadeiras fortunas em poucos anos. Essa é a principal conseqüência positiva que difere o MMN do capitalismo tradicional. Somente ajudando pessoas se pode ganhar dinheiro e quanto mais se ajuda mais se ganha. Esse processo de ajudar as pessoas aos poucos as vai transformando. No MMN ninguém consegue ganhar dinheiro se não mudar como pessoa. Os princípios do capitalismo tradicional estão muito arraigados dentro de todas as pessoas e substituí-los é um processo duro que exige disciplina, abnegação, coragem. Quem não consegue essa flexibilidade e quer utilizar os mesmos princípios do capitalismo tradicional no MMN não se dá bem, perde dinheiro e para se defender o critica, divulgando Emails onde afirmam que trata-se de um sistema de pirâmide ou correntes que são ilegais. Quem fracassa no MMN já vem fracassado do sistema tradicional e por não se dispor a mudar como pessoa, substituindo princípios, não se dá bem. Conheço algumas dezenas de pessoas que ganham mais de 100 mil reais por mês pelo sistema MMN. São pessoas sérias que trabalham por prazer, ajudam muitas pessoas e são felizes. Quer chova ou faça sol. Quer estejam trabalhando ou de férias o dinheiro chega todo mês. A maioria delas nem nível superior têm. Estudam muito. Lêem muito. Fazem treinamentos constantes com pessoas altamente bem sucedidas e alcançam o sucesso. Uma saída honrosa para o capitalismo.



• Cláudio Vital de L. Ferreira: Psicólogo, Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU . Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal. E-mail: cvital@mailcity.com

Comunismo ou Capitalismo?

12-09-2009


Comunismo ou Capitalismo?



Ocorreram profundas transformações na sociedade principalmente no século passado, quer em termos de tecnologia, quer em termos de costumes e ainda não houve tempo suficiente para se entender e sentir todos os efeitos dessas mudanças. Mas tem ficado evidente o controle e a homogeneização do pensamento e das mentes. A autonomia tem cedido espaço para a geração de indivíduos massificados, cada vez mais parecidos com robot, funcionando a partir de programas e botões.

O que deveria ser interesse individual a serviço do interesse coletivo foi transformado em interesse dos povos a serviço de grandes grupos econômicos. Mas o ser humano não se presa para ser controlado, e quando se vê envolvido na renúncia da própria liberdade e autonomia de pensamento e ação, sente-se infeliz e frustrado, pois o desejo e essa semente de autonomia nunca morrem ainda que sejam massacrados na vivencia do dia a dia quer pelos meios de comunicação, quer pelas instituições de organização social.

Vivi a época da polarização entre o comunismo e o capitalismo. O auge do militarismo no Brasil foi quando mais vontade tive de ler Karl Max pois seu clássico livro “ O capital” estava proibido. Na época não entendia o motivo pelo qual os militares tinham tanta aversão ao comunismo que era descrito como algo vindo do diabo, aproveitando o gancho da religiosidade dos brasileiros. Conheci muitas pessoas que passaram a odiar o comunismo e quando inquiridas sobre o motivo de tanto sentimento negativo associado a essa palavra, ficavam perdidas e repetiam frases prontas que maciçamente haviam ouvido principalmente no rádio ou visto na televisão: “ é perigoso”; “ os comunistas matam as crianças! Destroem a família!”; “ “cuidado! Não se deve falar essa palavra!”; ” os comunistas são uma ameaça”. Tudo o que sabiam sobre o tal comunismo se resumia em frases semelhantes a essas e se fossem perguntado mais alguma coisa disfarçavam e caiam fora. Quando a velha Rússia se desintegrou e houve a queda do muro de Berlim essas pessoas tiveram um grande alívio e sentiram-se felizes. Até hoje não sabem porquê, mas durante o regime militar no Brasil, muitos brasileiros foram mortos por terem idéias que eram identificadas alinhadas com o comunismo e estou seguro que muitos dos matadores o fizeram sem sequer entender que tipo de ameaça essas pessoas significavam. Assim, matava-se e morria-se como conseqüência de crenças estabelecidas, ainda que totalmente irracionais.

Aos poucos muitos países que eram tratados como inimigos passaram e ser considerados amigos por se alinharam ao capitalismo, abandonando as idéias do comunismo, consideradas ultrapassadas e arcáicas. Para muitos, finalmente a vitória do bem sobre o “mal” e por algumas décadas essa organização político-social reinou quase absoluta. Veio a Globalização e a palavra “aldeia” começou a ser usada para mostrar que toda a terra era intercomunicada de tal forma que em instantes era possível levar a qualquer parte do planeta uma informação. Continuava a pregação em toda a mídia que agora sim os problemas da humanidade seriam resolvidos, pois o tal “comunismo” e seu “mal” já não existiam mais. À euforia pregada e festejada pela mídia aos poucos não atingia mais as mentes dos povos pois, os tais benefícios do capitalismo não vinham, enquanto que os problemas conseqüentes dessa organização social cada vez se intensificavam mais. Como ninguém consegue enganar a todos por muito tempo, as pilastras do capitalismo começaram a ruir e em poucos anos mais de um trilhão de dólares evaporou-se deixando muita gente na miséria, afetando milhares de empresas consideradas financeiramente sólidas. A maioria das pessoas em volta do mundo não tem tido acesso aos bens produzidos, pois a riqueza tem cada vez mais se concentrado e a pobreza e a fome tem afetado milhões de pessoas. Ainda que sejam conhecidos os progressos na ciência médica, milhões de crianças ainda morrem em quase todos os países do mundo vítimas de desidratação ou desnutrição. As pessoas trabalham cada vez mais para dar conta de pagar suas contas e vivem estressadas, cansadas, deprimidas, insatisfeitas e agressivas. Estamos em um processo de transformações cada vez mais profundas, com controle das mentes através da implantação do desejo e da homogeneização das idéias. Uns poucos pensam por todos e a massa é conduzida feito gado para o matadouro. Admirável mundo novo.

• Cláudio Vital de L. Ferreira: Psicólogo, Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor - Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU . Pós-doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com




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Pedro Henrique Lemes
16-09-2009
Excelente seu texto Cláudio.

Organização Política

05-09-2009


Organização Política



Quase toda última metade do século passado foi marcada pela divisão política e social do planeta por dois grandes blocos, o capitalismo e o comunismo. O primeiro tinha como seu representante máximo os Estados Unidos da América(EUA) e o segundo a antiga Rússia. Diversos países se alinharam a cada um deles e assumiram em suas organizações internas idéias que se identificavam ou com um ou com outro. Foi a época da assim chamada “guerra fria”, onde as idéias eram defendidas por armas, pois cada bloco pregava que suas idéias eram as melhores e as idéias alheias ameaçadoras. Foi o período onde mais proliferaram armas, principalmente as nucleares.

Ruiu o comunismo, pregado como tão ameaçador e o capitalismo reinou sozinho em céu de brigadeiro, mas não por muito tempo, pois os problemas se intensificaram. Agora na primeira década do século XXI em poucos anos os sustentáculos do capitalismo, que eram os grandes conglomerados financeiros, começaram a ruir e em poucos anos mais de um trilhão de dólares evaporou-se, afetando milhões de famílias no mundo todo. Diga-se de passagem que os líderes do capitalismo que são os políticos de alguns países e os executivos de grandes conglomerados financeiros e multinacionais de métodos fraudulentos se safaram, pois seus interesses privados acabaram sendo preservados num salve-se quem puder. Os poderosos sempre levam vantagens e os grandes prejudicados de fato são os consumidores finais quer de serviços, quer de produtos. Parece que nenhum dos dois modelos de funcionamento político ou seja, o comunismo e o capitalismo de fato têm garantido uma qualidade de vida às pessoas.

Os problemas relacionados a organização política e social dos países há muito têm sido denunciados por escritores consagrados. Orwell[1948], em seu clássico livro “1984”, já denunciava por metáforas o que estava por vir no mundo que estamos construindo, com invasão de privacidade, uso da tecnologia para o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da cultura dos povos e guerras para assegurar a paz. Aldous Huxley também faz denúncia semelhante em 1932 em seu livro “ admirável mundo novo” ressaltando os aspectos desumanizadores do chamado progresso científico e material. Algumas de suas idéias nas palavras de Caperuto e Col. “… família, sentimento, espiritualidade, velhice são vistos como conceitos ultrapassados. A reprodução humana em laboratório permite a classificação de uma sociedade dividida em castas. Homens e mulheres padronizados, em grupos uniformes, de acordo com o grau de intelectualidade e funções produtivas. Nascem massas de indivíduos irrelevantes, controladas pelo sistema para servirem e produzirem bens de consumo- uma estratégia de manutenção da ordem social, complementada pelo condicionamento psicológico. E assim, a mídia é, igualmente, segmentada de acordo com a casta a que se dirige. A preservação do corpo físico garante uma aparência eternamente jovem. A liberdade sexual se contrapõe à falta de liberdade, marcada pela proibição da leitura e pela exclusão daqueles que não agem de acordo com as normas do corpo social. A felicidade é estabelecida como norma vigente para a manutenção da estabilidade social, que é atingida pelo uso de drogas e pelo e com o consumo desenfreado…”.

Anthony Burgess[1962] segue a mesma linha de raciocínio em seu clássico livro Laranja Mecânica, também retratado magistralmente em filme por Stanley Kubrick, onde o líder de uma gange Alex é preso e usado numa experiência chamada “Método Ludovico”, e suas idéias e comportamentos são controlados por condicionamento aversivo. Ray Bradbury[1953] também denuncia uma sociedade totalitária controlada pela “Família” em seu famoso livro Fahrenheit451. Já o russo Yevgeny Zamyatin[1924], em seu clássico livro “Nós”, narra a impressão de um cientista sobre o mundo em que vive, uma sociedade aparentemente perfeita mas opressora onde um grupo tenta se rebelar contra o “Benfeitor”, uma espécie de regente supremo da nação. O que se constata no mundo moderno é que as pessoas estão sempre em busca da realização de desejos implantados artificialmente pelos controladores de mentes através da mídia, principalmente dos programas de rádio e televisão, a maioria deles inalcançáveis, como se a felicidade e bem estar pudessem ser decorrência de bens materiais e não de um processo de subjetividade interna. A sensação de infelicidade tem aumentado na mesma velocidade dos problemas e cada vez mais pessoas buscam refúgio na espiritualidade, buscando Deus através de religiões.

• Cláudio Vital de L. Ferreira: Psicólogo, Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós-doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal. E-mail: cvital@mailcity.com

O que vai na mente!

31-10-2009


O que vai na mente!



Cláudio Vital de L. Ferreira*

Para continuarmos vivos comemos todos os dias. A ciência descobriu que o combustível ideal para alimentar nossas células é composto de aproximadamente 108 elementos. Desses, 55 são chamados de nutrientes naturais e 53 de nutrientes essenciais. Os naturais são assim chamados porque, caso não sejam ingeridos na alimentação, as células têm condições de produzi-los.

No entanto, isso é possível somente quando todos os elementos essenciais são ingeridos, pois são a matéria prima para os naturais serem produzidos pelas células. Já os essenciais, nosso corpo não tem condições de produzir, por isso precisamos ingeri-los, quer através da alimentação tradicional, quer através de suplementos. Quando isso ocorre, nosso organismo tem condições de funcionamento perfeito através das células na auto reprodução, na proteção do organismo contra doenças e no exercício das diferentes especialidades para as quais foram programadas. Quando, no entanto, não ingerimos todos os nutrientes essenciais, o organismo não morre, mas passa a funcionar de forma deficitária e o corpo sofre como um todo através da sensação de cansaço, desânimo, depressão, dores e doenças.

Da mesma forma que nosso corpo para funcionar bem precisa ser alimentado de boa comida, nossa mente também precisa comer bem. Dar comida ao corpo é uma tarefa difícil, principalmente comida de boa qualidade, pois custa caro. O ato de comer é prazeroso quando comemos uma comida do sabor que gostamos, ainda que o sabor engana, pois o sabor dos alimentos é dado pelos temperos e condimentos. Pegue a comida tradicional do brasileiro que é o arroz, o feijão, a salada e a carne e prepare apenas com água e saberá a que estou me referindo. O biólogo David Menezes diz que o que dá o sabor aos alimentos é a gordura, o açúcar e o sal que ele identifica pela sigla “GAS”.

No que se refere à mente, não é difícil alimentá-la, pois desde que estejamos acordados, nossos sentidos nos colocam em contato com o mundo externo e é através deles que alimentamos nossa mente. No entanto, o mundo a nossa volta, da mesma forma que nos apresenta combustível para o corpo de péssima qualidade através de alimentos ricos em gorduras e carbohidratos e de baixo teor de nutrientes essenciais, também apresenta alimento para a mente através da mídia de baixíssima qualidade e precisamos “buscar” comida saudável para a mente que realmente possa nos alimentar. Não esqueça, tudo o que você colocar na sua mente serão sementes que vão germinar, crescer e dar frutos da mesma espécie. Como sabemos as sementes são programadas genèticamente para produzir frutos de uma determinada qualidade. Assim, quando plantamos sementes de laranja, não podemos imaginar que depois de algum tempo possa produzir pêra ou figo. Da mesma forma, quando plantamos sementes de ervas daninhas, sabemos que o que produzirão não serão próprios para o consumo humano. O mesmo acontece com nossa mente. Os frutos que serão produzidos serão de acordo com o que você colocar diariamente nela.

Outro dia eu e minha família recebemos uma visita que usava todo seu tempo livre para ver televisão. Amava ver tudo o que era mostrado num determinado canal, mas o que mais lhe prendia a atenção eram as novelas e os noticiários. Quando esses programas eram passados nos mesmos horários das refeições, se alimentava com um olho no prato e outro na televisão. Fui obrigado a escutar o que se dizia tanto em alguns capítulos de novelas como nos noticiários. Sim escutar pois não dei sequer uma rápida olhada para o aparelho de TV, pois já sabia que tipo de informações teria. Nas novelas, personagens simpáticos e divertidos buscavam passar novos padrões de consumo e valores diferentes dos que aprendi como sendo universais, num clima afetivamente atraente para prender a atenção e mobilizar sentimentos.Quando nossos sentimentos estão aflorados, somos mais vulneráveis à influência externa. Nos tele jornais, escutei noticias de estupro, abandono de bebê por sua mãe, acidentes de automóvel, assaltos, denúncia de roubalheira em Brasília e por aí a fora. Era tanto lixo que a gostosa comida que eu ingeria para alimentar meu corpo acabou sendo também indigesta. O que se pode esperar de alguém que usa várias horas do seu dia para ver televisão alimentando sua mente de tanto lixo? ZIg Ziglar, escritor mundialmente conhecido por seus livros e treinamentos na área de desenvolvimento pessoal e relações interpessoais é categórico em afirmar que ninguém consegue permanecer por muito tempo mentalmente saudável quando se permite colocar tanto lixo diariamente em sua mente.
O mais trágico disso tudo é que as pessoas que mais vêem TV são as que mais de queixam que não têm dinheiro. Quando recebem uma oportunidade para mudar economicamente de vida, alegam que não tem tempo, mas usam várias horas de cada dia para ver TV. Essas pessoas são conduzidas pela mídia como gado para o matadouro e acabam se deixando enganar pela própria mente. Fuja de programas de TV e de horóscopo, leia um bom livro, escute uma música clássica, converse com seus filhos, dê carinho para eles e para seu cônjuge. Vocês merecem e eles vão te agradecer. Que tipo de comida você dá para a tua mente todos os dias?

Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

Brasileiro: profissão devedor

24-10-2009


Brasileiro: profissão devedor



Cláudio Vital de L. Ferreira*

Existem muitas pessoas, principalmente algumas de origem religiosa católica, que têm uma relação tumultuada com o dinheiro. Esses pessoas têm dificuldades enormes em ganhar dinheiro, consideram que as pessoas ricas roubaram para adquirir seus bens. Invocam até a bíblia para justificar idéias condenatórias frente ao dinheiro. Justificam o próprio fracasso econômico afirmando que não devemos nos preocupar com os bens materiais. Dizem que estão felizes com o pouco que ganham e que não tem maiores aspirações econômicas. Zig Ziglar, grande conferencista na área de relações interpessoais e desenvolvimento pessoal, se pudesse dirigir uma pergunta a essas pessoas certamente perguntaria no que mais essas pessoas costumam mentir. A bíblia não condena o dinheiro, mas o apego ao dinheiro. Até o bom samaritano não poderia ter ajudado se não tivesse dinheiro. Pois saiba que o dinheiro é bom, é gostoso de se pegar e faz muito bem tê-lo no bolso e principalmente no banco.

Essas mesmas pessoas que condenam o dinheiro e os que o possuem levantam muito cedo, pegam uma condução e dependendo da cidade onde moram podem levar até 3 horas para chegar ao endereço do trabalho. Enfrentam um trânsito intenso, se estressam com o patrão e com a quantidade de trabalho para fazer todos os dias, almoçam mal, quase sempre sanduiches ou mesmo salgadinhos com refrigerante na rua. Saem do trabalho no final da tarde, quando não precisam ficar fazendo hora extra ou porque o patrão exige ou para poder ganhar alguns trocados a mais. Enfrenta mais três horas de trânsito e se tiver sorte este chegando em casa as nove da noite. Vive para o final de semana pois quando chega em casa quase sempre os filhos já estão dormindo e a esposa esta cochilando no sofá. Essas pessoas, ainda que não pensem, estão numa corrida desesperada, sacrificando a própria vida e a da família para ganhar um mísero salário. Em outras palavras, estão correndo atrás de dinheiro.

O problema é que a mídia incute diariamente na mente das pessoas o desejo de consumo e os ganhos que o mercado oferece não permitem a realização desses desejos. Poderíamos dizer que existem três tipo de pessoas, as que são pobres, a classe média e os ricos. Enquanto os ricos criam ativos que são bens que geram riquezas e vivem de parte dos rendimentos desses ativos e a outra parte investem, por isso ficam cada vez mais ricos, a classe média, desejosa de ser rica,e principalmente para parecer rica, compra carros caros, uma casa de campo e bens de consumo que são passivos pois não geram riqueza e sim despesas. Se endividam, são tensos e estressados mas vivem de aparências, pois valorizam sobremaneira a admiração social e a bajulação.Esses constroem castelos sobre a areia. Os pobres têm grande dificuldade em ganhar dinheiro por isso não conseguem criar ativos e para ter os bens passivos se endividam. O comércio se aproveita dessa realidade e prega na mídia a venda de uma geladeira em dez suaves prestações sem juros. Na verdade as prestações não são suaves e a afirmação de que são sem juros é totalmente mentirosa passível de uma ação da justiça.

O pobre pensa apenas no valor da prestação e se ela cabe dentro do seu orçamento. Se endivida e compromete boa parte da sua renda para adquirir bens de consumo que vão gerar outros gastos e torná-los ainda mais pobres. Fuja de prestações e de empréstimos como o diabo da cruz. Não deixe prestações vencerem e se tiver alguma dívida que não está tendo condições de honrar, procure seu credor, renegocie e coloque os valores mensais a ser pagos dentro dos limites do seu orçamento. Caso sua dívida se relacione com banco e você não está tendo mais condições de pagar as prestações e o banco não aceitar uma renegociação que lhe seja favorável, entre na justiça. Você tem todas as chances de ganhar uma causa como essa. Sonhe sempre, mas vida com os pés no chão. Nunca esqueça dessa ordem: primeiro SER, depois FAZER e por último TER.

*Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

Otimismo com realismo

17-10-2009


Otimismo com realismo



Cláudio Vital de L. Ferreira* Ladislao Gati **

A maioria dos órgãos governamentais, em todos os níveis, municipais, estaduais e federais, não param de apresentar suas realizações e os progressos alcançados. De fato, nas áreas da tecnologia, ciências, informática e medicina aproximamo-nos dos países desenvolvidos e disso podemos nos orgulhar. Apesar das dificuldades financeiras, da burocracia que tudo emperra e a complicada tramitação da autenticação do progresso contra as quais o desenvolvimento deve lutar, nossa elite intelectual não desanima e, aos trancos e barrancos, por próprio eforço, amiúde sem nenhum apóio oficial, os resultados aparecem. Essa política de “substituição”, aliás, é uma das características dos governos brasileiros: incentivar a participação popular, o voluntarismo e a ação popular para realizar o que os órgãos oficiais, apresentando desculpas pouco aceitáveis, deixam de fazer. Assim a população arruma estradas, apavimenta as ruas, instala o sistema de saneamento, constrói poços artesianos, edifica casas populares, assegura a travessia das rodovias para os estudantes com guardas voluntarios Tudo isso parece interesante, no entanto o dinheiro público arrecadado com impostos salgados nem sempre sao utilizados para o bem público e sabemos que parte do que é arrecadado é desperdiçado em obras desnecessários ou pior ainda, em desvíos para os bolsos de alguns ladroes engravatados.. Há inúmeros processos contra o enriquecimento ilícito de centenas de políticos e muitos dos que sao acusados sequer sao procesados em funçao de acordos políticos de bastidores. Essas pessoas ridicularizam o “povo inocente” que acredita na propaganda alardeando a tal “governança participativa”, a qual nada mais é que o engodo dos que mandam e desmandam, a seu bel prazer, com o dinheiro do erário público, leia-se: com o dinheiro dos impostos pagos pela população honesta.

E aqui entra em cena o realismo. Os resultados científicos que enaltecem o nosso país só serão consolidados, ampliados e universalizados se houver um sistema de educação à altura. Não é suficiente termos ótimas universidades para a formação de nossos cientistas e técnicos, é preciso que haja uma educação doméstica e escolar visando o respeito mútuo, a honestidade, a ética, a sinceridade, a colaboração, a solidariedade e a responsabilidade, inclusive para com os deveres sociais. Nossas escolas preparam nossos filhos para o mercado competitivo, para o egoísmo, para o beneficio próprio em detrimento dos outros. Cada vez mais a famosa “Lei de Gérson” que é levar vantagem em tudo vigora na mente das pessoas como se a desonestidade fosse o caminho para o sucesso. Nosso grande problema nao é somente a falta de escolas, mas sim escolas de qualidade que preparem seus alunos com valores universais reconhecidos por todos os povos, e nao somente conhecimentos técnicos para serem mais uma peça na engrenagem do proceso produtivo. Como se isso nao bastasse, os estudos no nivel fundamental sao de péssima qualidade; os professores têm uma formação precária, além de mal-remunerados; os alunos terminam os seus cursos semi-analfabetos ou analfabetos funcionais, sem entender o que leram; não há a mínima preocupação para a educação moral e para a cidadania; a pobreza e a miséria tende a se agravar com a concentraçao da renda, não permitindo uma convivência pacífica e um lar onde se aprende a ser gente de bem. Resultado: ninguém é de ninguém, “cada um por si e Deus por todos” ou em outras palavras “o mundo é dos espertos!”
Nos orgulhamos com o aumento constante do nosso PIB, com a diminuição das taxas de Juros, o equilíbrio do câmbio e da nossa moeda, mas não nos empenhamos a formar cidadãos honestos, comprometidos com o bem coletivo e com a preservação da natureza. Estamos vivendo num mundo de fantasia, num otimismo sem fundamentos, não conseguimos vislumbrar, nem mesmo a médio e a longo prazo, uma real melhoria da situação em que nos encontramos atualmente se a base da educaçao nao for modificada. A tarefa é árdua, mas tem que ser enfrentada. Avante Brasil!

Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

* Teólogo, 81 anos, professor, ex- coordenador do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (Deutscher Entwicklungsdienst) e da Fase (Federação de Órgão para Assistência Social e Educacional) em Recife.
Autor do livro “confiteor, confesso, megvallom – Memórias de um homem comum”, 2004. gatihaj@gmail.com

Oportunidade

10-10-2009



Cláudio Vital de L. Ferreira*

A crise pela qual está passando o capitalismo tem deixado vítimas e uma delas são os trabalhadores, principalmente os assalariados. Em todos os países do mundo, mesmo os mais desenvolvidos, uma parte dos trabalhadores foi afetada e muitos deles perderam seus empregos, com graves conseqüências para si mesmos e para suas famílias. As possibilidades de conseguir outro emprego são pequenas e quase sempre por valores inferiores aos do emprego anterior.

Todo o processo educacional direciona as mentes para o mercado de trabalho assalariado. Os cursos profissionalizantes e principalmente os cursos de níveis superiores e pós graduações buscam dar o máximo de informações para os alunos conseguirem um emprego no mercado. Como as empresas querem os melhores e estão dispostas a pagar o mínimo que puderem, quanto maior o número de candidatos competentes e desempregados no mercado, os níveis salariais baixam numa espécie de lei da oferta e da procura invertida pois, quando se trata dos produtos do patrão, quanto maior a procura, maiores são os preços.

São poucos os empregados que se sentem seguros e estão satisfeitos no emprego, tanto em nível do trabalho que desenvolvem, em nível do tipo de relação que desenvolvem com o patrão ou chefe, quanto do valor do salário que ganham.

O sonho da maioria desses trabalhadores é ter uma oportunidade para mudar de emprego e ter no novo emprego o que lhe falta no atual. Quando conseguem isso, logo se dão conta que no outro emprego os problemas são semelhantes. Aos poucos descobrem que quando decidiram ser empregados colocaram sobre a mesa do seu empregador suas liberdades. Suas vidas irão girar em torno dos interesses do empregador. É o patrão quem definirá o que irão fazer, em que horário deverão chegar e sair do emprego, quando irão tirar férias, o que irão fazer todos os dias e o pior de tudo, quanto irão ganhar. Suas vidas estão nas mãos do padrão e suas famílias sobrevivem das sobras do tempo que não são utilizados ocupados com o trabalho. Logo perceberão que são prisioneiros e ficarão ansiosos por uma oportunidade de trabalho na qual pudessem se livrar do patrão e resgatar a liberdade.

Quanto mais tempo alguém passou como empregado, mais se habituou com uma relação em que o padrão define suas atividades e tudo o que tem a fazer para preservar o emprego é seguir à risca as ordens que recebe dando o máximo de si mesmo. Precisa ser muito bom no que faz, pois, ainda que não ganhe muito, sabe que existem muitas pessoas tão ou mais competentes do que si mesmo desempregadas esperando sua vaga e dispostas a aceitar um salário ainda inferior ao que recebe. Isso o desgasta, o estressa, mas não vê outra saída, pois tem que sustentar sua família e pagar suas contas.

Muitas pessoas permanecem em seus empregos justificando que aí estão porque não apareceu uma oportunidade de desenvolver um trabalho autônomo em que resgatasse a liberdade que venderam ao patrão. Se você é um deles saiba que todos os dias aparecem oportunidades na tua vida mas você não as vê. Quando realmente você decidir resgatar tua autonomia e buscar uma oportunidade ela virá até você. Tenho um grande amigo com o qual aprendi muito em vários treinamentos, no qual ele foi o professor, que afirma categoricamente, e eu acredito nisso, que a oportunidade que você procura está a procura de você. Basta você abrir tua mente e teu coração e então conseguirá “ver” a oportunidade que bate a tua porta, mas você não escuta. Outras pessoas conseguem encontrar a oportunidade que estava muito próxima, mas não viam e a abraçam, mas não conseguem levar adiante o sonho através dela, pois se acostumaram a ser mandados pelo patrão e na oportunidade de trabalho, sendo donos do próprio negócio, sendo padrões de si mesmas, precisam aprender a gerir suas vidas e seus tempos. A maioria não consegue isso, pois o trabalho assalariado as acomodou e sentem necessidade de alguém para dizer o que fazer numa relação paternalista. Ser dono do próprio negócio e ter ganhos muito acima da media não é para todos. Apenas aqueles que estão dispostos a pagar o preço através da auto disciplina, da persistência e consistência chegarão no topo. O topo reserva muitos tesouros. O topo está lá para todos, mas nem todos estão dispostos a fazer a difícil caminhada na auto superação para poder usufruir de todos os benefícios que o topo reserva. Iniciar a caminhada depende apenas de uma decisão e persistência. O processo de caminhar te irá transformando e aos poucos irá te habilitar a ser merecedor do que esse caminho de pedras promete. A maioria das pessoas entram em um negócio e querem TER. Antes precisam SER, depois FAZER e por último então vão TER.

• Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

Teu maior inimigo

07-10-2009


Teu maior inimigo



Cláudio Vital de L. Ferreira*

Algumas pessoas desenvolvem relações interpessoais tão tumultuadas que conseguem ter inimigos. Outras não conseguem identificar em nomes, mas conservam sentimentos de raiva, revolta, preconceito e às vezes ódio por outras pessoas. Identificam sempre o mal em outras pessoas ou em circunstâncias fora de si mesmas, e aí cometem um dos maiores erros que irá criar grandes transtornos em suas vidas.

Não duvide, seu maior inimigo está dentro de você. Estou me referindo ao teu corpo. Sim esse conglomerado de órgãos e tecidos que constitui teu organismo. Não sei como você lida com teu corpo. Há pessoas que usam boa parte das horas de cada dia para o culto ao corpo, se dispondo a grandes sacrifícios para mantê-lo dentro de um padrão de beleza que, se alcançado, irá provocar a admiração dos outros. Vamos lidar aqui com dois conceitos por uma questão didática, ou seja, o corpo e a mente. Teu corpo é preguiçoso, vadio, acomodado e mentiroso. Foge de qualquer responsabilidade e exige sempre a sensação de bem estar ainda que de forma irresponsável. Quer sempre prazer e foge da dor como o diabo da cruz. É egoísta, querendo tudo para si mesmo, parecendo uma criancinha rebelde que ganha muitas coisas mas está sempre insatisfeita e exigindo cada vez mais de forma quase ininterrupta.

Tua grande sorte é que teu corpo não tem autonomia e depende de tua mente e vontade para agir. Isso te dá uma vantagem, pois ainda que teu corpo queira a comodidade e inanição, tua mente tem o controle sobre ele e executará o que ela determinar. Mas teu corpo não se dá por vencido e desenvolve artimanhas para convencer tua mente de que todos os teus desejos e vontades são legítimos e precisam ser satisfeitos. Vejamos um exemplo: há alguns meses atrás eu fazia um trabalho de rua na saída de um movimentado edifício na cidade do Porto em Portugal e havia um rapaz simpático, porém simplório, com a metade dos dentes da boca, que vendia revistas e trabalhava em frente ao edifício todos os dias bem próximo de mim, a ponto que fizemos amizade. Seu principal assunto que compartilhava comigo era se queixar da vida, do governo e dizer que tinha família, filhos, mas que a vida era muito difícil e que o que ganhava não era suficiente para dar um mínimo de conforto para eles, às vezes sequer uma alimentação saudável. Enquanto discorria sobre assuntos tão importantes da sua vida, com a maior naturalidade apanhava um maço de cigarros do bolso, sacava um cigarro e fumava dando profundas tragadas, soltando tanta fumaça como se fosse um daqueles trens Maria fumaça.

Fiquei imaginando a inteligência do seu corpo para criar um argumento lógico e suficientemente sólido para convencer a mente a permiti-lo a cada meia hora queimar dinheiro com prejuízo à saúde se queixando de falta de dinheiro. Cheguei a imaginar o diálogo interno desse sujeito falando consigo mesmo:

-Corpo: quero fumar um cigarro, pois estou com vontade.
-Mente: não tenho dinheiro suficiente e isso faz mal.
-Corpo: Puxa não fale assim, estamos trabalhando, você está ganhando dinheiro.
-Mente: não! Não vou permitir. Minha família precisa desse dinheiro que é pouco.
-Corpo: Você vive trabalhando, se esforçando, tem feito tudo por tua família. Você não faz nada por ti mesmo, não aproveita a vida. O que tua família faz por ti? Vamos la, não seja rígido, você merece.
-Mente: Está bom, mas somente um.

Imediatamente as mãos se dirigem ao bolso e pegam o maço de cigarros. O corpo mente para a mente e essa se alia ao corpo e acredita na mentira e a farsa dura uma meia hora até o corpo querer fumar mais um cigarro e novo dialogo mentiroso se trava e, caso a mente não seja disciplinada, mais uma vez cairá no canto da sereia e no final do dia um maço de cigarros terá sido fumado.

Fortalece tua mente com disciplina e jamais acredite nas mentiras que teu corpo te apresenta como verdades incontestáveis. A Satisfação dos desejos do corpo é uma ratoeira de efeito retardado que acabará esmagando tua mente e ao próprio corpo. Sê vigilante, domina teu corpo. Desenvolve tua mente e exige que os interesses dela sejam preservados. Somente assim você terá uma chance de sonhar e realizar sonhos, e teus filhos terão orgulho de ti.


• Psicólogo,Dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU. Pós doutorando em Saúde Mental pela Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com




Comentários (1)



Comentários




ionilda paulino ramos
09-10-2009
concordo plenamente com você, as vezes temos que controlar a nossa mente, ou melhor educa-la se não nós cometemos erros terriveis,que depois arrependemos.obrigada pela orientação.

A escola dos sonhos!

28-11-2009


A escola dos sonhos!



Estamos terminando uma investigação na área de saúde e educação a partir de uma escola pública na Vila das Aves, na cidade do Porto em Portugal. Se você trabalha com educação, ou se você se preocupa com nossas crianças, ou mesmo se tem filhos ou pretende ter filhos, conheça um pouco mais sobre a experiência educacional que tem mudado a vida de centenas de crianças. Se você não mais acredita que as escolas possam se transformar em um lugar onde os nossos filhos amam estar lá, são respeitados em suas diferenças mas tratados como iguais, estudam em pequenos grupos sem a interferência direta dos professores, saiba que essa escola é possível e existe. Se você pensa que toda escola precisa de provas e exames e separar em classes as crianças “inteligentes” e as “burras”, onde as notas são publicadas e os que melhor decoraram o que os professores exigiram tiram notas melhores e recebem elogios e os que tiram notas mais baixas são humilhados até na presença dos pais que são chamados na escola, afetando drasticamente a auto imagem da criança,saiba que a escola dos sonhos existe.
Perguntamos a uma menina de apenas 12 anos, que estudava nessa escola desde os seis anos, o que achava do sistema de ensino da escola onde estudava e nos deu a seguinte resposta:

Eu acho que é bom. Aprendemos a nos gerir. Se eu estivesse estudando em outra escola, eu não teria crescido. Não seria responsável. Não tomaria consciência da responsabilidade dos meus atos. Não teria consciência de trabalho em grupo e de ajudar uns aos outros. As pessoas tinham que saber sobre nosso método pois é interessante e eu aprendo muito com ele, mas as pessoas não sabem. Todos deviam saber. Aqui no meu país as pessoas não conhecem. Se eu for falar com um amigo de outra escola e falo da Escola da Ponte ele não sabe o que é nem como se ensina aqui.

Temos as sextas feiras uma assembléia e fazemos a reunião em um cinema que arrumamos aqui perto. Quem comanda a assembléia são eleitos por todos. A mesa da assembléia são somente alunos. São somente os alunos que elegem a mesa. Tem a comissão de ajuda que é escolhida pela assembléia e pelos professores. A comissão ajuda os alunos nos problemas que eles tem. Se existe algum conflito a comissão ajuda a resolver. Sempre a comissão de ajuda busca auxiliar a resolver os problemas que possam surgir. Eu que decido como vou trabalhar aqui na escola e em que hora. Eu faço um plano de trabalho quando chego de manha. Ai faço o plano do dia. Faço a partir do plano da quinzena que é uma folha que tem o que vou fazer com toda a escola e os meus objetivos pessoais em que vou trabalhar em cada área. Os objetivos relacionados com a escola definimos com o professor tutor. Na assembléia é levado assuntos que na terça feira foi coletado e os alunos disseram quais assuntos serão discutidos lá. O plano quinzenal é individual e feito de acordo com as necessidades de cada aluno. Cada aluno vai fazendo seus objetivos de acordo com sua necessidade. Se precisar pede ajuda ao professor. Tenho meta de naquela quinzena fazer os meus objetivos. Amanha termina uma quinzena de objetivos. Depois de amanha eu farei outros objetivos para mais 15 dias e no final vejo se alcancei. Temos aqui objetivos na escola e eu escolho os objetivos que quero trabalhar. A escola tem alguns objetivos traçados e eu que vou escolher quando e como que eu vou cumprir esses objetivos. Mesmo nos objetivos que eu defino que não estão relacionados com os objetivos da escola, eu sou avaliada. Buscamos sempre relacionar esse objetivo pessoal aos objetivos da escola. Se eu coloco entre meus objetivos para os próximos 15 dias estudar o universo, começo então a estudar depois de ter mostrado para meu professor tutor e quando achar que já aprendi eu coloco no mural que EU JÁ SEI. Se eu tiver dificuldade eu coloco no mural: PRECISO DE AJUDA. Também posso colocar algo no mural: EM QUE POSSO AJUDAR, sobre o assunto que já aprendi e que posso ajudar a alguém. A avaliação pode ser um trabalho, ou ficha de avaliação, ou uma avaliação oral pelo professor de cada are, mas sempre individual tão logo o aluno diz que já está preparado. Nós aqui não pensamos individualmente. Não é para nós mesmos e sim para TODOS. Tudo aqui é para NÓS e não para MIM.